10 dicas de segurança para mudar a cor dos cabelos

06/07/2018 | Redação

Na hora de transformar, é preciso entender muito bem a alquimia das cores e ter segurança para mudar a cor. Além disso, ter um olhar atento e criativo e o profissional respeitar as condições e características da fibra capilar

 

Quando coloração e pincéis entram em cena, oferecemos uma mudança que pode refletir na autoestima e no bem-estar da cliente. E para alcançar a cor dos sonhos com segurança para mudar, é preciso se cercar de cuidados. Isso garante o mínimo de dano ao fio. “Além de avaliar a espessura, a resistência e o grau de porosidade da fibra, o profissional deve questionar se há problemas como queda capilar e alterações no couro cabeludo, por exemplo. Essas situações tornam a química contraindicada”, avisa o tricologista Luciano Barsanti, autor do livro Dr. Cabelo (Editora Elevação). Para dominar a técnica e ser respeitado, o profissional precisa ter experiência e segurança e não se aventurar. Veja algumas questões que podem comprometer o resultado:

10 dicas de segurança para mudar a cor dos cabelos

1- Quais os principais cuidados para ter segurança para mudar a cor?

“É preciso recorrer a um produto de ponta, com excelentes pigmentos e ingredientes que tratam a fibra. Além disso, o conhecimento é muito importante. Assim, o colorista consegue compreender o diagnóstico e os caminhos a tomar durante a execução do serviço. Também é fundamental interpretar o desejo da cliente. Avaliar se a tonalidade esperada vai combinar com sua pele, personalidade e seu estilo de vida”, comenta o hairstylist Thiago Trevelin, embaixador e educador Evoóc Cosméticos.

Segundo ele, um dos maiores pecados na realização de uma coloração é não respeitar a integridade da fibra, ignorando se ela está em condições de receber a química. “Se não estiver, a fixação de pigmentos fica comprometida e a fragilidade aumenta, levando ao ressecamento e à quebra. Não seguir o protocolo de aplicação do fabricante é outro erro. O tempo de pausa sugerido por cada um refere-se ao período em que a coloração entra no córtex e ocorre o processo oxidativo, quando os pigmentos são revelados e não conseguem sair. Ao não respeitar os passos e o tempo, aumentamos o desbotamento dos fios e geramos insatisfação na cliente”, explica.

 

2- Ao mudar radicalmente, recomenda-se transformação direta ou é preciso respeitar um processo de transição? Qual o intervalo recomendado entre as etapas?

Trocar o tom dos fios é um desejo comum e um dos serviços mais realizados nos salões. No entanto, para que seja imediato, é preciso analisar a saúde da fibra capilar, pois o risco de quebra é grande quando ela não tem estrutura para suportar os procedimentos químicos. “O mais seguro é sempre optar por uma transformação gradual, com intervalos de 7 a 15 dias, para realizar tratamentos que ajudam a reestruturar o fio. A sinergia entre mudança de tom e hidratações é fundamental para um resultado preciso de cor e qualidade do fio”, explica Carolina Lemos, educadora técnica Vizet Professional.

10 dicas de segurança para mudar a cor dos cabelos

3- Os fios foram avaliados e conclui-se que uma descoloração não é o melhor caminho, pois estão muito fragilizados. Como recuperar a fibra e prepará-la para uma transformação futura?

Cabelos que já foram submetidos a processos químicos ou que apresentam queda ficarão ainda mais sensibilizados com sobreposição de outros procedimentos agressivos. Se houver quebra ao fazer uma tração em uma mecha bem fina, há contraindicação para o clareamento.

“O ideal é tratar com agentes altamente hidratantes e com produtos de qualidade, próprios para sua condição. Um xampu com pH entre 5 e 6 e máscaras entre 3 e 4, por exemplo, favorecem o fechamento das cutículas. A partir daí, siga com um cronograma de recuperação e acompanhe a evolução desse fio, que também deve receber tratamentos com queratina, para repor as perdas e reconstruir a fibra.

Tome cuidado com o uso excessivo de matizantes e desamareladores, que precisam ser aplicados, mas com um intervalo mínimo de uma vez por semana, pois pode ocorrer acúmulo de pigmentos e o cabelo ficar opaco”, ensina Jackeline Alecrim, especialista em cosmetologia avançada e diretora executiva da Magic Science Brasil (MG).

 

4- Como voltar ao tom escuro original quando a cliente tem descoloração?

O método mais recomendado é usar coloração sem amônia semipermanente, com micropigmentos cristalizados, escurecendo de 4 a 5 tons sem a necessidade de reconstrução da cor. “Por exemplo: uma cliente tem fios naturais 5 (castanho-claro) e muitas mechas no comprimento e nas pontas, que chegaram entre as tonalidades 9 (loiro-claríssimo) e 10 (loiro ultraclaro). Se o seu desejo é escurecer as áreas claras para aproximá-las do seu tom natural, aplique a coloração 5 diretamente sobre elas. Depois de dez minutos, passe-a em todo o cabelo, respeitando um tempo de pausa de 15 a 20 minutos”, ensina Danilo Carvalho, diretor técnico da AlfaParf Milano.

 

5- É possível conseguir um loiro dos sonhos em fios com coloração escura?

Aqui, a dificuldade aumenta de acordo com a intensidade do tom e do tipo de química aplicada. “Se for um preto, é mais complicado. E um tonalizante, por exemplo, pode dificultar mais o processo de clareamento do que a tintura, pois é puro pigmento, impregna mais a fibra. No mercado, temos produtos que utilizamos para remover a cor (decapagem), mas nem sempre conseguimos clarear de uma vez”, explica a hairstylist Luciana Alvarez (SP). Nesses casos, o recomendado é passar os específicos para reequilibrar o pH e selar os fios no intervalo entre um procedimento e outro.

Mas antes de tudo, o teste de mecha vai verificar a resistência da fibra e o tempo de clareamento necessário. Isso deve ser analisado pelo colorista e ter seu olhar atento. Outro fator importante é usar sempre itens de boa procedência e com tecnologia que garanta menor agressão possível. “Uma alternativa para quando o cabelo não consegue atingir o loiro dos sonhos, por demonstrar que não resistiria ao procedimento, é entrar com mechas de alongamento. Não com o objetivo de aumentar o comprimento, mas conseguir o tom sonhado e sem recorrer a tantos processos”, detalha.

10 dicas de segurança para mudar a cor dos cabelos

6- Como transformar um cabelo com coloração escura em um ruivo luminoso?

Faça uma leve limpeza de cor no escuro, até que ele atinja o fundo de clareamento laranja – ideal para o ruivo. “Caso queira um efeito tom sobre tom, basta escolher duas nuances distintas. Mas vale lembrar que a diferença entre as alturas de cor não deve ultrapassar dois níveis”, orienta Jean Philippe, da Henkel.

 

7- E para clarear sem ter um resultado indesejado?

O problema está relacionado com a pressa. “Na hora de descolorir, alguns profissionais removem o pó descolorante antes do tempo ideal. Dessa forma, chegam a um fundo 5, 6, 7 ou 8, que resulta em alaranjado, vermelho alaranjado ou dourado”, esclarece o hairstylist Sylvio Rezende (SP). A dica é descolorir os fios até a altura de 9. Em seguida, matizar com um tonalizante 9.1, que dá um efeito mais perolado.

 

8- Como escurecer levemente o cabelo com coloração loira sem perder o brilho dourado?

A sugestão é ir com calma e trabalhar de forma gradual, principalmente se a mulher apresentar muitos fios claros. “Provavelmente, ela não tem tanta certeza se vai ficar bem ou se vai se acostumar com a nova cor. Comece pelos que já estão mais escuros, sem fechar a cor global de uma vez.

Sugiro luzes invertidas, aplicando um tom chocolate ou loiro-escuro (6.0) com pitada do 6.1, por exemplo”, ensina Sylvio Rezende. O resultado vem com contraste bonito, que segue a tendência do efeito duo color. A cliente terá o cabelo mais fechado, mas ainda loiro.

9- Qual o segredo para transformar em loiro madeixas avermelhadas?

Remover o pigmento vermelho dos fios é um dos trabalhos que mais exigem expertise e paciência do profissional para que a transformação aconteça sem comprometer a integridade da fibra. “O primeiro passo é checar como está a saúde capilar. O cabelo precisa estar hidratado e nutrido para receber os processos químicos”, avisa Gi Quintino, educadora criativa internacional da Truss.

Ela recomenda tratamento de reconstrução para repor a massa proteica e aumentar a resistência e flexibilidade dos fios. “Depois, descolorir. Somente o uso de pó descolorante retira os pigmentos artificiais. É pouco provável que o avermelhado saia logo na primeira vez. Se o clareamento será feito de uma vez ou gradualmente, dependerá de alguns fatores. Que são: o tom do vermelho, se é muito escuro, quantas vezes foi aplicado e a qualidade da coloração usada. É preciso lembrar que as que não são profissionais possuem pigmentos maiores e mais difíceis de serem removidos”, explica.

Todas essas condições determinarão quantas vezes a cliente deverá realizar o processo de descoloração. Ele não deve ser repetido no mesmo dia. E ao atingir o clareamento ideal, é fundamental tratar os fios para hidratar, repor lipídios e selar cutículas. Por fim, para alcançar o loiro desejado, é importante tonalizar com coloração semipermanente de qualidade. Vale a pena ainda observar se tem tecnologia que garanta as melhores condições para a fibra.

 

10- Dá para clarear e manter o fundo escuro em cabelos com maior concentração de brancos no topo e nas laterais?

“Quando trabalhamos com fios naturais e brancos, a base para qualquer serviço é o cabelo natural. Devemos lembrar que não temos pigmento a ser clareado no branco. Por isso, a escolha do oxidante para uma coloração deve seguir essa orientação. Caso contrário, há o risco de não chegar ao tom desejado. Existem três serviços: a cobertura com coloração ou tonalizante, as luzes para disfarçar grisalho indesejado ou, quando a quantidade de brancos for muito grande, cobri-los com coloração e fazer luzes por cima”, explica Rodrigo Frare, coordenador técnico da Yellow.

Texto: Françoise Gregório

Fotos: Shutterstock