10 passos para abrir uma barbearia de sucesso

01/03/2017 | Patricia Santos

Oferecer um ambiente para homens – seja um espaço dentro do salão ou fora dele – é um dos atrativos para a clientela que preza pela qualidade do serviço e discrição. Essa não é a única razão para muitos profissionais investirem no segmento de barbearia. Os homens estão ficando mais vaidosos e o look lenhador também demanda uma procura maior por especialistas para cuidar dos fios da barba. Selecionamos dez dicas para quem quer investir no ramo e prosperar em seu empreendimento.

 

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1 – PLANEJE BEM
Antes de investir, relacione todas as vantagens e desvantagens e qual a verba destinada ao projeto. Depois, pense na localização ou se será uma ampliação do espaço que já possui. Em ambos os casos, é preciso considerar gastos com reformas, material de construção e mão de obra qualificada, além dos equipamentos e móveis profissionais. Considere ainda preço de aluguel, condomínio, visibilidade do ponto, se há estacionamento e concorrentes na região. De acordo com o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), a localização é determinante para o sucesso e também responsável pelo fechamento da empresa em menos de quatro anos. “Se o ponto é em bairro mais chique e a proposta é ser simples, as chances de não dar certo são grandes”, alerta Ana Roberta Amarante, consultora de projetos do Sebrae (SP).

2 – CUIDE DA BUROCRACIA
Registre a empresa e sua marca e contrate um contador. O primeiro passo é escolher o nome e verificar na Junta Comercial ou no Cartório de Registro de Pessoa Jurídica de seu município se já está no domínio de outra pessoa. Vale, ainda, patentear a grife no Instituto Nacional de Propriedade Intelectual. Entre os documentos que precisará para abrir firma estão cópias autenticadas de RG e CPF dos sócios, contrato social, capa de registro na Junta Comercial ou cartório, ficha de cadastro nacional e pagamento de taxas. É importante, ademais, ter um alvará de funcionamento, obtido na prefeitura, administração regional ou na Secretaria Municipal da Fazenda mediante apresentação de laudo de vistoria.

3 – DEFINA A ESTRUTURA

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O tamanho físico varia muito de acordo com os serviços ofertados e com a sofisticação do ambiente, porém, saiba que 33 m² é o espaço mínimo necessário para uma barbearia, sem recepção, mas com área para poltronas de espera, um banheiro de 4 m² e depósito de materiais isolado por divisória, com 2 m². Pense na possibilidade de colocar um aparelho de TV ou música ambiente, uma iluminação apropriada ao tratamento, quatro cadeiras básicas de barbeiro, um lavatório, armários e acessórios em geral, espelhos fixos e de mão e linha telefônica. Dependendo da sofisticação do ambiente, integre com máquina de café, frigobar e sistema de ar-condicionado. Para cada assento, é necessário ter uma máquina de cortar cabelo, uma tesoura de corte e outra de desfiar, uma escova, um pente, uma navalhete, aventais e toalhas. A sugestão do Sebrae é o dono trabalhar em um deles e os outros três deixar com profissionais comissionados que recebem 50% do valor do tratamento prestado e ainda trazem sua cartela de clientes.

4 – INVISTA COM CAUTELA
“Os custos para montar uma barbearia pequena, em bairro, giram em torno de R$ 50 mil, sem contar os pré-operacionais para a constituição da empresa, despachante, contador, reforma e adequação do imóvel”, alerta a consultora do Sebrae. É importante, ainda, ter um capital de giro para suportar oscilações de movimento. Esse valor varia conforme prazos médios de fornecedores, estocagem e o concedido a clientes, como parcelas para pagamento. Estima-se em torno de 15% do montante investido. Ademais, há que se avaliar os gastos mensais, que envolvem salários, encargos e comissões, aquisição de insumos, tributos e impostos, aluguel, taxa de condomínio e segurança, água, luz, telefone e internet, manutenção e produtos de higiene e limpeza, assessoria contábil e publicidade e propaganda. Algo em torno de R$ 11 mil, conforme tipo e porte do estabelecimento.

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5 – CRIE NOVOS SERVIÇOS
Para se destacar no mercado, é preciso trazer um diferencial, algo que agregue valor e que o cliente reconheça ser uma vantagem competitiva. “O homem está mais vaidoso e criar opções diferentes é uma boa ideia para aumentar o giro de dinheiro, como colocar manicures e esteticistas”, afirma Ana Roberta Amarante. Limpeza de pele, coloração e hidratação de fios, podologia e até depilação estão entrando na lista de itens procurados por eles em espaços exclusivamente masculinos. O mesmo vale para a venda de cosméticos específicos para os meninos. “Mas diferentemente das mulheres, eles são fiéis, não compram por impulso e estão mais atentos a preços, consultando na internet. A economia tem de valer a pena”, lembra a consultora.

6 – ATRAIA A CLIENTELA
Engana-se quem pensa que basta abrir as portas para as pessoas aparecerem do nada. É preciso saber vender o peixe e investir em divulgação para construir uma imagem positiva e tornar conhecidos os serviços oferecidos. “Cinco atitudes de mesmo peso são diferenciais para o sucesso: a técnica e a mão de obra devem ser qualificadas, incluindo também a ambientação; organizar uma boa gestão financeira e controlar o capital de giro; ter visão de 360 graus, liderando, administrando e lidando com egos de profissionais e clientes; divulgar o trabalho, seja por panfletos, nas redes sociais ou em anúncios; e se capacitar com frequência, realizando cursos, observando o mercado e as tendências nacionais e internacionais”, acrescenta Ana Roberta Amarante.

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7 – SEJA DIFERENTE
Vale a pena investir em tecnologia e amenities para se destacar neste mercado, como fez a Barbearia Sport Club (SP). “Eu tive um salão feminino e me incomodava ver o tratamento que os homens recebiam, sem privacidade. Assistir a um jogo de futebol, nem pensar! Tentei muitas vezes mudar isso, mas sem sucesso”, comenta Marcel Castro, sócio-proprietário que abriu a primeira unidade há quase dois anos. Televisores ligados em esportes em geral e videogames liberados são alguns dos atrativos que eles adoram. Isso sem contar o bar, com muitos rótulos de cervejas artesanais, nacionais e importadas, e um food truck na porta aos sábados, dia de maior movimento.

8 – APOSTE NA FRANQUIA
O investimento vale se sua ideia é ter um nome forte e consultoria constante. “A franquia facilita a vida do empreendedor que não conhece a área. Damos diretrizes em todos os aspectos, minimizando os riscos e sendo o mais assertivo possível”, explica o empresário Marinaldo de Oliveira, proprietário da Barbearia Bar (SP). O suporte inclui localização de bons pontos comerciais, contratação de profissionais qualificados e questões legais. O investimento para uma loja pequena, de 50 m², é de R$ 120 mil, com valor da franquia de R$ 30 mil. “O capital de giro de uma pequena é de mais R$ 30 mil, com retorno estimado entre 12 e 24 meses”, acrescenta. Entre os mimos estão uma tulipa de chope artesanal e café gourmet. “A vantagem é o know-how, mas é preciso estar atento ao contrato, que não pode ser abusivo, e verificar se a empresa entrega o que promete. Analise se existe mais de um franqueado e se estão no mercado há pelo menos três anos, além de avaliar o histórico e o conhecimento a ser compartilhado”, alerta a consultora do Sebrae.

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9 – SAIA DO COMUM

Observar o mercado e agir na hora certa também é um dos passos para o sucesso. O hairstylist Lincoln Tramontini (PR) notou a crescente demanda desse mercado e investiu em uma barbearia dentro de seu salão. “Eu tinha duas unidades e, para me antecipar e não ser pego pela crise, resolvi diminuir custos fechando uma delas e ampliando a matriz”, conta. Em um ano e três meses, viu sua clientela masculina subir 30% e se arrepende de não ter destinado um espaço maior. “Hoje o homem tem muita informação de moda, se cuida e, no ambiente, pode ficar à vontade tomando sua cervejinha e comendo amendoim”, afirma o expert, que em breve deve aumentar ainda mais o lugar. O barbeiro Anderson Santos também ousou ao abrir sua barbearia dentro de uma loja de cuecas na rua mais badalada de São Paulo, a Oscar Freire. “Eu estava negociando um ponto no quarteirão mais masculino da rua, mas acabei perdendo para a Casa das Cuecas. Resolvi, então, conversar com o dono para ver se ele não dividiria comigo. Deu certo. Ele me ofereceu metade da casa e a junção das duas frentes traz clientes para ambos. Quer item mais necessário para o homem do que underwear?”, brinca. Anderson ainda montou outro lugar menor, dentro do showroom da Audi, na mesma rua. “Fiz uma ação lá como parte do Dia dos Pais. Eles gostaram tanto do resultado que pediram para ficar em definitivo”, acrescenta.

10 – FAÇA PARCERIAS
Uma aliança de força é unir marcas de cosméticos aos serviços para barba, cabelo e pele. “A grande vantagem da sociedade entre grife e profissional é a credibilidade que um empresta ao outro. O barbeiro é o maior aliado da empresa de produtos masculinos no momento de decisão da compra. Já o trabalho dele é endossado por ela, o que lhe confere prestígio e visibilidade”, comenta Felipe Machado Barbosa, sócio da Barbearia Man Lab, que fica dentro do Maksoud Plaza, hotel tradicional de São Paulo. “Abrimos o ponto com capital próprio e os mesmos empresários da marca da loja on-line de cosméticos masculinos Man Lab, selecionando barbeiros em um criterioso processo. Isso foi fundamental para traduzir o conceito do virtual em ambiente que oferece serviços no mundo real”, completa. O mesmo fez a Dr. Jones, que instalou uma barbearia dentro da casa de moda masculina HEMB, em Porto Alegre (RS). “O homem mudou e não é mais o mesmo de 50 anos atrás. Ele busca produtos e tratamentos de qualidade, específicos e que realmente funcionem. Fizemos uma pesquisa mercadológica e conceitual para entender as necessidades e preferências dos consumidores. Foi um período de quase seis meses até a inauguração. A ideia é expandir os negócios nos associando a barber shops já existentes e lançar novas no mercado”, avalia o empresário André Popoutchi, sócio-diretor da Dr. Jones.

 

Texto: Katia Deutner (edição de web: Patricia Santos)
Fotos: Shutterstock e Pixabay