12 fatos sobre Helena Rubinstein que todo amante da beleza deve saber

27/01/2016 | Patricia Santos

De moça pobre a uma das mais poderosas empresarias do século 20, Helena Rubinstein inventou a indústria de beleza. Criou produtos, conceitos e protocolos que a gente segue até hoje. Mais que inovadora, foi uma mulher bem à frente de seu tempo. Saiba mais sobre essa incrível trajetória! 

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1. No início do século 20, mulheres não podiam votar. As que usavam maquiagem eram consideradas prostitutas. A grande maioria sequer tinha direito de escolher o próprio marido. Foi nessa época que Helena Rubinstein ousou. Ousou recusar um casamento arranjado, ousou mudar de continente, ousou criar e fabricar produtos cosméticos, ousou inventar o mercado de beleza e tornar-se uma das maiores empresárias do planeta.

2. Madame, como gostava de ser chamada, nasceu em uma família judia na Polônia, em 1872. Era a primogênita das oito filhas do casal Hertzel Naftali Rubinstein e Augusta Gitte Silberfeld. A família vivia de maneira modesta, sendo sustentada pelo pequeno comércio do pai. Helena adorava ajudá-lo na loja e, sempre que podia, se aboletava atrás do balcão para não ter de ficar em casa executando tarefas domésticas. Apesar de jovem, demonstrava um enorme talento para lidar com o público e era boa negociante. Com a mãe, aprendeu tricô, costura e bordado. Ela também lhe ensinou a escovar a cabeleira cem vezes antes de se deitar e a proteger o rosto do vento frio com um creme de beleza. O produto era fabricado por dois químicos húngaros, clientes de Hertzel. A matriarca dos Rubinstein comprava-o em grandes potes, passava o conteúdo para recipientes menores e todos os dias aplicava a fórmula na face das meninas.

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3. Organizada, séria e autoritária, Helena recusava todos os pretendentes a casamento. Tornar-se dona de casa e encher-se de bebês, definitivamente, não era para ela. Como a tradição judaica dizia que a mais velha das filhas deveria se casar antes das irmãs, era preciso arrumar uma solução. Assim, a moça, então com 24 anos, foi enviada para a Austrália, onde ficaria hospedada na casa de um tio. Quando embarcou no navio alemão Prinz Regent Luitpold, Rubinstein sentiu-se leve. Na bagagem, apenas o essencial e 12 pequenos potes do creme de beleza da sua mãe.

4. No Novo Mundo, trabalhava arduamente no bazar de seu tio, Bernhard. Ali cuidava da limpeza, fazia a contabilidade, atendia o público. E chamava a atenção das clientes, que ficaram admiradas com a beleza de sua pele, tão viçosa, lisinha e sem manchas. As australianas, coitadas, penavam com os efeitos do sol sobre o rosto branquinho. Percebendo aí uma boa oportunidade de negócio, Helena pediu que a mãe lhe enviasse alguns potes do seu creme milagroso. Vendeu tudo rapidinho e Gitte precisou lhe mandar uma nova remessa. O problema era que, naquela época, uma viagem entre a Europa e a Oceania levava ao menos três meses. Era tempo demais para deixar a clientela esperando. A solução seria fabricar o cosmético.

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5. A jovem, então, pede emprego na farmácia do Sr. Henderson. Ele a contrata para trabalhar todos os dias, do amanhecer até a noite. Apesar da rotina puxada, ela adora o ofício e o contato com as clientes. Aos poucos, o patrão vai lhe ensinando o que sabe. Aluna aplicada, Helena aprende a manipular ervas e óleos. Submete uma amostra do creme de Gitte ao microscópio e tenta descobrir do que era feito. Um dia, recebe uma carta em que a mês lhe revela o nome dos ingredientes descritos na embalagem do produto: azeite, gergelim, casca de pinheiro, essência de amêndoa. Começa, então, a fazer suas próprias misturas, que ora ficavam líquidas, ora espessas demais. Experimentava todas as noites suas poções e sabia que faltava algo para torná-las cosméticos dignos desse nome. A busca acabou quando se lembrou do que tinha lido em um livro do velho Henderson: a lã dos carneiros secretava uma gordura excelente para dar consistência aos cremes, a lanolina. Voilà!

6. A invenção da beleza
O ano de 1902 foi especialmente importante para as mulheres australianas, que ganham o direito ao voto. E também para Helena. Depois de trabalhar como babá e garçonete, ela conta com a ajuda de amigos para, finalmente, começar a produzir sua fórmula. Dá-lhe o nome de Valaze e a distribui pessoalmente em mercados e farmácias de Melbourne, cidade para onde havia se transferido. O hidratante fez tanto sucesso que em poucos meses Rubinstein abria seu primeiro instituto de beleza, no qual não só fabricava e vendia seu cosmético como também o aplicava nas clientes. Logo teve de criar mais itens: sabonete, loção adstringente e creme de limpeza. Ainda elaborou um protocolo de serviços pelo qual as consumidoras pagavam um alto preço. Três anos mais tarde, Madame já tinha se mudado para um salão maior, havia aumentado sua linha de produtos e partia para a Europa, a fim de estudar todas as novidades a respeito dos cuidados com a pele. Voltou de lá com uma irmã e uma prima para ajudá-la a tocar os negócios e nunca mais parou.

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7. A conquista do mundo
Em 1908, Rubinstein já tinha meio milhão de dólares no banco e salões na Oceania. Mas ela desejava ir além. Instalou uma unidade da Casa de Beleza Valaze em Londres, no bairro Myfair, e não demorou a conquistar as aristocratas locais. Para a empresária, a beleza deve tudo à ciência. Em sua opinião, as clientes precisam ser informadas sobre os tratamentos desde sua primeira visita, em uma consulta personalizada. Sim, Madame era visionária e foi pioneira em utilizar pesquisa científica para embasar a ação de seus cosméticos.

8. Ela também investia em publicidade e distribuía cremes entre formadoras de opinião, como atrizes e jornalistas. Em 1909, seu espaço parisiense era inaugurado no Faubourg-Saint-Honoré. Aquela judia de origem humilde finalmente arrebata a cidade mais encantadora do planeta, tornando-se amiga do estilista Paul Poiret e frequentando a alta-roda. Além disso, cria novos protocolos e ensina o trabalho de esteticista a jovens profissionais. No entanto, a Primeira Guerra Mundial eclode em julho de 1914, fazendo com que Helena parta para Nova York em outubro daquele ano. Em maio de 1915, ao lado do marido e dos dois filhos, abre seu primeiro instituto nos Estados Unidos e descobre uma grande rival: Elizabeth Arden. Mais tarde, também passa a competir com Charles Revson, fundador da Revlon e inventor de um esmalte que secava rapidamente e durava mais que os outros.
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9. Mente inovadora
Incansável, Helena nunca parou de pesquisar. E de criar. E de disputar mercado com seus concorrentes. Em 1928, sua empresa já empregava três mil funcionários em todo o mundo e continuava crescendo, graças à sua sagacidade e visão empreendedora. Por exemplo: ela não inventou a máscara para cílios, lançada pela Maybelline em 1913, mas a aperfeiçoou ao desenhar a embalagem automática usada até hoje pela indústria.

10. A profissão de esteticista não existia até Rubinstein fundar seu primeiro instituto na Austrália. Idem para o ofício de demonstradora de cosméticos. Madame o vislumbrou ao treinar as jovens responsáveis por vender suas fórmulas em lojas de departamentos. Linha exclusiva para homens? Ela elaborou uma na década de 1940. Salão masculino? Abriu o primeiro de Manhattan no início dos anos 1950. Também foi pioneira em desenvolver spas, programas de ginástica emagrecedora, cremes com esse mesmo propósito e produtos high tech como o Silk Powder, um pó à base de seda, e o cuidado firmador Contour Lift Firm.

11. Dama da arte
Em sua primeira viagem da Austrália para a Europa, Helena comprou objetos de arte. Era o começo de uma coleção valiosíssima, que não só decorava seus salões e os lugares onde vivia como mostrava o tamanho de seu bom gosto. Parte desse acervo estava em seu apartamento parisiense durante a Segunda Guerra e foi pilhada pelos nazistas. Nada que abalasse Madame, então com 73 anos. Assim que foi declarado o armistício, ela arregaçou as mangas, colocou o instituto do Faubourg-Saint-Honoré para funcionar mesmo sem energia elétrica e arrumou a casa.

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12. Ao longo da vida, tornou-se amiga de importantes artistas. Vários deles, como Salvador Dalí, fizeram seu retrato. Embora tenha recebido tal incumbência, Pablo Picasso recusou-se a pintá-la, mas produziu 40 croquis de seu rosto. As peças que não foram leiloadas após sua morte, em 1965, ornamentaram as paredes da Fundação Helena Rubinstein, instituição que funcionou em Nova York por quase 60 anos, distribuindo mais de 130 milhões de dólares em bolsas de estudos para mulheres. Entre novembro de 2014 e março deste ano, o Museu Judaico da Big Apple abrigou a exposição Beauty is Power, a primeira a explorar o rico universo da empresária e a exibir obras que lhe pertenceram. Hoje, a marca Helena Rubinstein pertence ao Grupo L’Oréal, que preserva seu DNA inovador.

helena-rubinstein-livroPara saber mais:
A francesa Michèle Fitoussi escreveu A Mulher que Inventou a Beleza – A Vida de Helena Rubinstein. Na biografia, publicada no Brasil pela Editora Objetiva, a autora esmiúça a trajetória de Helena revelando suas qualidades sem esconder traços controversos de sua personalidade. Madame podia ser ao mesmo tempo generosa e temperamental, doce e ríspida. A obra mostra sua rivalidade com Elizabeth Arden e Charles Revson e lembra seu esforço para salvar a família do nazismo. Também traz, claro, todas as inovações de Rubinstein para a indústria da beleza. Vale a leitura.

 

Texto: Cristiane Dantas (edição de web: Patricia Santos)
Fotos: Editora Objetiva e The Jewish Museum