52 fatos sobre alisamento para ser fera no assunto

Reunimos todos os questionamentos sobre essta temática, tão recorrente no dia a dia do salão e na cabeça da clientela para zerar suas incertezas

18/08/2017 | Patricia Santos

Reunimos todos os questionamentos sobre alisamento, temática tão recorrente no seu dia a dia e na cabeça da clientela para zerar suas incertezas. Aqui, abordamos tudo sobre hidróxidos, tioglicólicos, compatibilidades, cuidados e até home care. Tudo para você atingir o alisamento perfeito sem ficar com cara de dúvida se a sua cliente pedir para você explicar o processo.

Alisamento com Hidróxidos

Conheça profundamente essa família de substâncias queridinhas das cacheadas que querem um look mais liso e saudável.

Tudo sobre alisamento capilar
1. QUAIS SÃO OS HIDRÓXIDOS DISPONÍVEIS NO MERCADO?
Sódio, magnésio, lítio e guanidina, que, na realidade, é cálcio unido ao carbonato de guanidina. Antigamente, havia também o de potássio, mas já não é fabricado por nenhuma empresa.

2. TODOS SÃO COMPATÍVEIS?
Sim, como todos eles são hidróxidos, se dão bem, mesmo de marcas diferentes.

3. COMO AGEM?
Tanto o sódio quanto o lítio reagem no cabelo da seguinte forma: a força é determinada pela concentração de íons do agente. “Se for alta, o ativo rompe as ligações de dissulfeto, removendo os átomos de enxofre delas”, afirma Alisson Lima, cabeleireiro e consultor pedagógico do Instituto Embelleze. Essas ligações estão localizadas entre dois aminoácidos chamados cistina, um dos 18 que formam a fibra capilar e representam 36% da composição da queratina, além de responder pela resistência e pela forma do fio.

4. E A GUANIDINA?
Contém dois componentes que são misturados: o hidróxido de cálcio mais o carbonato de guanidina. “Ela age como os outros, porém, caso seus componentes não sejam combinados corretamente, não farão efeito”, revela Alisson.

5. EXISTE DIFERENÇA NESSA FAMÍLIA?
“Somente na força de ação no cabelo, que deve ser avaliado de acordo com sua estrutura atual, sendo cada um deles indicado para um tipo”, diz a farmacêutica Manoela Almeida, supervisora da ECosmetics.

6. O QUE DIFERE O SÓDIO DO LÍTIO?
Ao contrário dos outros, o sódio é mais agressivo, por isso usa-se apenas em fios resistentes. Por ter fórmula engessada, não permite adicionar ativos que melhorem seu desempenho. O lítio também não é versátil, sua força depende da proposta do fabricante, geralmente sua ação é mais lenta do que o sódio.

7. NO QUE A GUANIDINA SE DIFERE DO RESTANTE DA FAMÍLIA?
Ela é a mais usada. Por ter moléculas maiores, tem ação mais lenta do que as outras bases. “Podemos graduar a sua força para chegarmos ao resultado desejado”, diz Alisson. Além disso, sua formulação pode conter ativos que tratam o fio, como manteiga de karité, queratina hidrolisada e extrato de aloe vera.

Tudo sobre alisamento capilar
8. QUAL DELES É INDICADO PARA CABELOS GROSSOS?
É difícil saber com exatidão. O sódio pode chegar ao pH 13,5, ou seja, oferece maior grau de desestruturação, indicado para esse tipo de fio.

9. QUAL É O MELHOR PARA OS FINOS?
“É muito relativo, pois exige teste de mecha antes de definir. Porém, os mais usados são o lítio e a guanidina, dependendo da formulação de cada marca”, fala Alisson. Saiba que o pH pode ser a partir de 9, e os produtos são criados em várias versões, como os de força suave para madeixas finas.

10. CABELOS CAUCASIANOS PODEM SER ALISADOS COM OS HIDRÓXIDOS?
Não é indicado, entretanto, os grossos podem ser alisados com todos, com avaliação prévia.

11. CABELOS DESCOLORIDOS E HIDRÓXIDOS COMBINAM?
Nem pensar. Em contato com o agente, esse tipo de fio pode sofrer afinamento, perda de elasticidade, abertura das cutículas e até quebra química. O mesmo vale para uma cabeleira escura previamente descolorida.

12. PODE-SE ALISAR CABELOS COLORIDOS COM ESSA FAMÍLIA?
Amônia e hidróxido são incompatíveis e há chances de grandes danos. Portanto, se a coloração da cliente contiver amônia, não opte por esse agente. Para colorir, o mais indicado é o tonalizante. Mas se ela insistir na permanente, tente oxidante de até 20 volumes. Ainda assim, faça um teste de mecha.

13. O ALISAMENTO PODE ALTERAR A COR DAS MADEIXAS?
Sim, o desbotamento pode alcançar de dois até três tons, além de danificar a fibra. Dependendo da porosidade e da resistência da cabeleira, ela também pode ficar opaca.

14. É PRECISO NEUTRALIZAR?
“A neutralização é necessária para toda a família e isso deve ser feito por meio da retirada do produto com água e a utilização do Shampoo Indicador”, ensina Manoela. Segundo a farmacêutica, o uso do neutralizante é indicado para evitar a calcificação do fio e repor os nutrientes perdidos no processo químico.

15. QUAL DELES É MAIS INDICADO PARA RELAXAMENTO?
A ação lenta da guanidina a torna candidata ideal, pois os outros agem rapidamente no fio. O resultado depende do tipo de cabelo, da porosidade e do tempo de ação, cujo limite máximo, apesar de variar conforme o fabricante, não passa de 25 minutos.

Tudo sobre alisamento capilar
16. QUAL A DIFERENÇA ENTRE RELAXAMENTO E ALISAMENTO FEITO COM HIDRÓXIDO?
No primeiro caso, haverá apenas redução do volume, seja pelo tempo menor de ação do produto ou pela escolha de um agente mais fraco. “Já no segundo, haverá o alinhamento total dos fios”, diz Manoela.

17. É POSSÍVEL HAVER QUEBRA QUÍMICA COM ALISAMENTO FEITO NA MESMA FAMÍLIA DE BASE?
Sim, se o limite de resistência do fio for ultrapassado. Após a quebra de 1/3 das pontes de dissulfeto ocorre o alisamento total do cabelo. O que for alisado de novo não terá força para resistir ao novo procedimento e o fio se quebra.

18. QUAL É O PH DA FAMÍLIA HIDRÓXIDO?
“Varia de 9 até 13,5 dependendo do fabricante. De empresa para empresa, esse índice pode variar muito”, diz Alisson Lima.

19. POR QUE OS HIDRÓXIDOS SÃO MAIS AGRESSIVOS DO QUE O TIOGLICOLATO?
Segundo Manoela, porque eles promovem uma transformação definitiva dos fios, que passam a ter uma nova estrutura, com apenas uma ligação de enxofre. Já o tioglicolato proporciona a quebra das pontes dissulfeto, mas a neutralização tem o poder de refazê-las, ou seja, seu efeito é reversível.

20. É POSSÍVEL CONTROLAR A FORÇA DE AÇÃO DESSA FAMÍLIA?
A guanidina é a melhor opção para o profissional trabalhar com conforto e atingir o resultado desejado. “Nos outros, as chances de não chegar lá são muito grandes, pois suas forças agem com mais rapidez, principalmente o sódio”, opina Alisson.

21. E SE, POR ACIDENTE, HOUVER CORTE QUÍMICO?
Mantenha a calma e aconselhe a cliente a pausar os procedimentos de transformação. Ofereça gratuitamente tratamentos de reconstrução da fibra capilar à base de queratina para amenizar a quebra e a estrutura danificada.

Alisamento com Tioglicolatos

Conheça os detalhes dessa classe de ingredientes, a favorita das indecisas, já que tem efeito reversível.

22. QUAIS SÃO OS TIOGLICÓLICOS DISPONÍVEIS NO MERCADO?
Os mais usados são o tioglicolato de amônio e o de monoetanolamina. E existem algumas variações, como o de aminometilpropanol, o tiolactato e o tiometacrilato, mas com efeito alisante menos intenso.

Tudo sobre alisamento capilar
23. TODOS SÃO PERMITIDOS PELA ANVISA?
Sim, toda a família é permitida.

24. ELES SÃO COMPATÍVEIS?
Em princípio, sim. Todavia, como em toda mudança de ativos, cabelos com escovas progressivas ácidas devem ser avaliados na hora de mudar para a família dos tioglicolatos.

25. COMO FUNCIONA ESSE AGENTE?
“Pela reação de oxidorredução, na qual o ácido tioglicólico é o agente redutor que desagrega as ligações de enxofre do cabelo. Dessa maneira, a cabeleira é modelada no formato desejado e, posteriormente, é trabalhada com o neutralizante que oxida a reação, fazendo com que essas conexões se religuem, só que agora no formato liso”, explica Ana Carolina Ribeiro, docente do curso de Visagismo da Universidade Anhembi Morumbi.

26. COMO O TIOGLICOLATO DE AMÔNIO AGE SOBRE O CABELO?
Ele é a associação do ácido tioglicólico com o hidróxido de amônio. “O ácido tioglicólico pode ser usado nos relaxamentos ácidos, como as escovas progressivas, e o tioglicolato de amônio nos relaxamentos alcalinos, com mudanças mais intensas na estrutura do fio”, explica Maria Lúcia, docente na Escola Bom Pastor, em Belo Horizonte (MG).

27. QUAL A DIFERENÇA ENTRE TIOGLICOLATO DE AMÔNIO E DE MONOETANOLAMINA?
Segundo Ana Carolina, no primeiro caso, a combinação do ácido tioglicólico com o hidróxido de amônio, um dilatador alcalino, faz com que a mistura chegue ao córtex, tornando-o mais potente do que o segundo, cuja ação é menor.

28. EXISTE DIFERENÇA ENTRE TIOGLICOLATO, TIOLACTATO E TIOMETACRILATO?
“Podemos dizer que o primeiro é o que tem a melhor ação alisante”, afirma Ana Carolina.

29. QUAL DOS DOIS É INDICADO PARA CABELOS GROSSOS?
De maneira geral, nessa família, o tioglicolato de amônio é o mais eficaz. Todavia, segundo Maria, os hidróxidos mencionados no primeiro bloco costumam ser os mais usados nos casos de madeixas muito encorpadas, impermeáveis ou excessivamente crespas.

30. QUAL DOS ALISAMENTOS DA FAMÍLIA DOS TIOGLICOLATOS É INDICADO PARA CABELOS FINOS?
Se forem fios finos e naturais, a escolha ideal é monoetanolamina. Mas caso sejam coloridos, a indicação é o de aminometilpropanol, que tem uma ação mais suave.

31. CABELOS CAUCASIANOS PODEM SER ALISADOS COM ESSES INGREDIENTES?
Sim, podem e devem, desde que os fios estejam resistentes e bem tratados. Essa é a indicação principal desse agente. “Atualmente, os relaxamentos ácidos, como as escovas progressivas, são, também, muito usados para esse tipo de cabelo”, complementa Maria.

32. E AS CABELEIRAS AFROS?
Dependendo da intensidade dos cachos e da fibra, podem sim. É o caso de madeixas finas. Mas se forem resistentes, não haverá um efeito tão liso.

Tudo sobre alisamento capilar
33. CABELOS DESCOLORIDOS TAMBÉM SÃO COMPATÍVEIS?
Sim, mas segundo Maria Lucia, é preciso um teste de mecha para avaliar a resistência e a saúde do fio e a força do produto a ser usado. “Como a descoloração é um dos tratamentos mais agressivos, sugerimos que se alise primeiramente com tioglicolato de amônio ou de etanolamina, com tratamentos periódicos, para depois proceder às
luzes, balayage, etc”, ensina.

34. É PRECISO NEUTRALIZAR TODOS OS ALISAMENTOS DA FAMÍLIA?
Sim, com peróxido de hidrogênio ou bromato de sódio. O neutralizante é o responsável por equilibrar o pH do cabelo, impedir que o ativo químico continue agindo e religar parte das pontes salinas. Ou seja, ele mantém o novo formato moldado no fio, além de impedir a quebra.

35. A COLORAÇÃO DEVE SER FEITA ANTES OU DEPOIS DO ALISAMENTO COM TIOGLICOLATO DE AMÔNIO?
Geralmente, 15 dias depois. O processo é alcalino e utiliza oxidante para neutralizar, o que pode degradar a queratina da fibra e desbotar a cor nos fios que já chegaram coloridos.

36. O QUE MAIS COMBINA COM TIOGLICOLATO DE AMÔNIO: TONALIZANTE OU COLORAÇÃO?
O primeiro, pelo depósito da pigmentação sobre a fibra. Já o segundo abre as cutículas, fragilizando mais os fios.

37. QUAL DOS TRÊS É MAISINDICADO PARA RELAXAMENTO?
Todos podem ser usados. “A escolha deve ser feita dependendo da avaliação profissional no teste de mecha quanto a resistência, grossura do fio, impermeabilidade, etc”, diz Maria Lucia. Outro ponto é o objetivo da cliente: abertura de cachos, diminuição de volume, totalmente lisos, etc.

38. É POSSÍVEL HAVER QUEBRA QUÍMICA MESMO QUANDO O ALISAMENTO É FEITO NESTA FAMÍLIA?
Sim e acontece muito por causa da resistência do fio e do comprometimento na sua elasticidade e porosidade. “Muitas vezes, a fibra danificada é resultado de trabalhos malfeitos, sem avaliação profissional ou sem respeitar a técnica e o tempo entre uma aplicação e outra”, explica Maria Lucia. Segundo Ana Carolina, a dica para evitar o desastre é fazer uma boa anamnese (questionário sobre o histórico do cabelo) e uma aplicação perfeita.

39. QUAL É O PH DESSA FAMÍLIA?
Do tioglicolato de amônio e de etanolamina, o pH é alcalino, aproximadamente 9,0 a 9,5, segundo a Anvisa.

40. É POSSÍVEL CONTROLAR A FORÇA DE AÇÃO?
Sim, por meio de dilatadores como a monoetanolamina ou o aminometilpropanol. “Para um trabalho perfeito, use produtos com concentração de ácido tioglicólico menor (força baixa ou cabelos sensibilizados) e não realize tanta força mecânica no processo de secagem e da piastra”, finaliza Ana Carolina.

41. QUAL É O INTERVALO IDEAL PARA NOVA APLICAÇÃO?
Assim como os hidróxidos, o retoque deve ser feito, no mínimo, após quatro meses e somente na área do cabelo que cresceu e, portanto, está livre do agente.

Cuidado intensivo pós-alisamento

Como tratar os fios alisados por hidróxidos e tioglicolatos no salão e home care.

Tudo sobre alisamento capilar
42. QUAIS SÃO OS TRATAMENTOS INDICADOS PÓS-ALISAMENTO?
Para combater enfraquecimento, o ideal é repor a massa perdida com produtos ricos em ácidos graxos, queratina e óleos essenciais.

43. QUANTO TEMPO PARA FAZER UMA RECONSTRUÇÃO?
Se for de queratina, deverá ter um intervalo de, no mínimo, 15 dias. “O excesso dela pode provocar rigidez no fio, chegando até a parti-lo”, diz Rosy Balter, do Hair Design Coiffeur (RJ). A reconstrução deve ser feita todo mês.

44. EXISTE ALGUM CUIDADO COM A PERIODICIDADE DO CORTE?
Os cabelos alisados costumam ter as pontas mais ralas. Apará-las duas a três vezes por ano é essencial para manter uma aparência saudável.

45. QUAL É O ESTILO MAIS ADEQUADO PARA AS ALISADAS?
O corte com base reta e sem desfiar muito, pois as madeixas podem arrepiar. A linha certinha também evita que as pontas ralinhas fiquem evidentes e contrastem com a parte mais encorpada. Tesoura fio navalha é proibida!

46. FRANJA PODE?
Sim. E deve ser cortada reta, mas com pontas levemente desconectadas.

Tudo sobre alisamento capilar
47. EXISTE XAMPU HOME CARE INADEQUADO?
Sim. Se, por exemplo, a raiz for muito oleosa e a pessoa passar a usar xampu para cabelos secos ou quimicamente tratados, essa oleosidade pode aumentar, pois esses produtos são feitos com extratos e óleos e, assim, estimulam ainda mais esse excesso de gordura.

48. QUAL É O XAMPU ADEQUADO?
O produto deve ser de acordo com o tipo de cabelo, e não apenas para alisados. Como xampu para oleosos e pontas secas.

49. AS ALISADAS PODEM PRENDER OS FIOS CONSTANTEMENTE?
Certos tipos de elásticos quebram os cabelos. “O ideal é optar pelos feitos com material flexível, como as chuquinhas”, recomenta Rosy.

50. E A HIDRATAÇÃO?
Os cabelos alisados ou os quimicamente tratados requerem mais hidratação do que
os outros. O ideal é fazer esse ritual uma vez por semana com produtos de boa qualidade.

51. UMA ALISADA PODE LAVAR OS CABELOS COM QUE FREQUÊNCIA?
Quando for preciso, mas os ressecados, de duas a três vezes por semana.

52. AS ALISADAS COSTUMAM PASSAR AS MÃOS NOS FIOS PARA AJEITÁ-LOS. ISSO PODE PREJUDICÁ-LOS?
Sim. A dica e evitar esse manuseio excessivo, pois o suor das mãos e a poeira podem danificar os fios, além de deixá-los sujos mais rápido.


Texto: Geiza Martins (edição de web: Patricia Santos)
Fotos: Shutterstock