5 roubadas capilares que você deve evitar pela saúde dos fios

28/07/2015 | Patricia Santos

Xampu-bomba, spray de sal, xampu seco de amido… essas versões caseiras, tiradas da internet para produtos industrializados consagrados, são um perigo para os fios! Veja porque é importante eitar cair nesse conto do vigário para manter a saúde dos fios. 

Não é de hoje que criar receitas com ingredientes caseiros e facilmente encontrados em farmácias faz a cabeça da mulherada. Especialistas afirmam que a prática é um clássico da história da beleza. “Isso ficou em evidência nos anos 1980 e 1990, mas com o avanço tecnológico e de informação sobre os cosméticos, a mania nacional entrou em stand-by por algum tempo, retornando agora com o boom de dicas do tipo ‘faça você mesma’”, diz o cabeleireiro Marcos Proença, do salão que leva seu nome, em São Paulo. No entanto, o mix de substâncias associadas não tem qualquer comprovação científica, e o barato pode sair muito caro, levando até a queda do cabelo, como você vai ver nas explicações abaixo. “Muita gente não sabe ou esquece que o desenvolvimento de qualquer cosmético, feito por empresas sérias, vai além da criação de uma fórmula em laboratório.

É um processo que envolve anos de pesquisa, testes feitos com profissionais da área ou consumidores, estudo de estabilidade da formulação para saber qual será seu prazo de validade, avaliação de segurança para analisar o potencial de irritabilidade da pele e, por fim, liberação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), para que qualquer item seja comercializado”, conta a gerente Carolina Carbonare, da empresa Itallian Hairtech, de São Paulo. O cabeleireiro Eron Araújo, do salão Blend Your Mind, em São Paulo, concorda com a especialista e ressalta: “Nem tudo o que é natural faz bem à saúde, inclusive quando o assunto é cabelo. As receitas da vovó já foram úteis, mas hoje estão cientificamente ultrapassadas”.

1. Xampu-bomba

Ficha criminal: O nome descreve muito bem o produto, que pode ser uma verdadeira arma letal contra o cabelo. Isso porque a “receita caseira” é um mix de Monovin A, ativo de uso veterinário aplicado na região intramuscular de cavalos; Bepantol, aquele creme hidratante superconhecido; e xampu sem sal. 
Vítima: A força da cabeleira. A promessa da receita é que o fio ficaria mais resistente, o que não passa de mito. 
Sentença de expert: Escolha produtos específicos para restaurar a força da fibra capilar. Eles possuem fatores de crescimento, como peptídeos, proteínas hidrolisadas e aminoácidos. Além do mais, a alta dose de vitamina A contida no Monovin A pode fazer o cabelo cair. “Sem contar que o ativo não se fixa não córtex, durando apenas até o próximo enxágue, e a fórmula não é estável na presença de água, que por sua vez compõe boa parte do higienizador usado em conjunto”, alerta o farmacêutico Maurício Pupo, especialista em cosmetologia, de São Paulo.
Já o Bepantol tem formulação rica em dexpantenol, que é a provitamina B5, utilizada em diversos limpadores e condicionadores. Não há problema em fazer uso dessa substância. No entanto, ao misturá-la a outros ingredientes, a estabilidade química pode ser prejudicada. Por fim, vale lembrar que o xampu sem sal ficou famoso quando foi indicado para prolongar o efeito da progressiva, mas, segundo a médica Debora Figueira, pós-graduada em Dermatologia e Medicina Estética, de Mogi das Cruzes (SP), todos têm sal, encontrado na formulação como lauril sulfato de sódio. Esse ingrediente, aliás, é responsável pela viscosidade durante o enxágue, realizando a limpeza do couro cabeludo.

2. Spray de Sal Marinho

Ficha criminal: essa prática, que virou moda no verão, é uma versão que usa a própria água do mar ou a mistura de água e sal marinho de culinária, depositados num borrifador convencional, pulverizado nos fios já secos para imitar aquele efeito “podrinho” de cabelo de surfista.
Vítima: A maciez e a saúde da cabeleira, que sofre grande dano, já que o fio fica quebradiço e opaco. “Além disso, ao fazer uso dessa receita, há um acúmulo de resíduos. Então, a mulher teria de lavar a cabeça comum xampu antirresíduos uma vez por semana”, diz Marcos Proença. “Outro ponto importante é que, com suas altas dosagens de sal, esse pretenso modelador resseca profundamente o couro cabeludo e pode provocar caspa, dermatites e queda”, acrescenta Marcelo Pupo.
Sentença de expert: Não é porque o original imita o efeito do cabelo exposto ao mar que ele, obrigatoriamente, leve o sal na sua formulação. “Essa é uma inspiração. Deixe isso claro para a sua cliente”, diz Proença. Vale lembrar que o cloreto de sódio, encontrado tanto na água do mar quanto no sal marinho, tem ação sobre a cutícula da cabeleira. “Resultado? Fio poroso e com perda importante de água, mesmo quando acrescentados óleos à receita, como o de argan ou de coco”, conta Debora, dermatologista.

3. Xampu Seco Feito com Amido de Milho 

Ficha Criminal: Há dois grandes problemas ao recorrer ao amido de milho para substituir o original industrializado. O primeiro é que a substância usada não deve, de forma alguma, ser depositada no couro cabeludo, já que só provoca danos. O segundo é que, geralmente, quem utiliza esse recurso o faz quando a oleosidade está evidente. Isso prova que a pessoa não está lavando a cabeça com a frequência que deveria. “O intervalo entre as lavagens deve ser de um dia, alternando-as, mas também podem ser feitas diariamente se o couro ou os fios forem mais oleosos, ou com espaçamento de dois dias em casos de cabelos cacheados ou afro. Mais que isso não é considerado saudável”, alerta Debora.
Vítima: O couro cabeludo, pois enquanto o xampu seco comercializado por várias marcas conta com polímeros e sílicas absorventes de oleosidade – que não irritam o local, pois não podem ser ingeridos pelas bactérias que habitam a pele –, o amido servirá de alimento para os micro-organismos. Isso pode causar infecções, caspa, vermelhidão, descamação, enfraquecimento e queda dos fios.
Sentença de expert: “Essa técnica vem sendo usada há muitos anos, assim como o uso de talco e, apesar de haver realmente a redução da oleosidade, quando usada semanalmente ou com maior frequência altera o pH do cabelo”, afirma a dermatologista.

4. Gel Modelador de Gelatina
 
Ficha criminal: A convencional é composta, basicamente, por proteínas e obtida pelo processamento do colágeno proteico, que é extraído da pele, das cartilagens e dos ossos de diversos animais. “E apesar de não ser considerada uma detonadora da fibra capilar, ela não traz benefícios quando aplicada diretamente nos fios, pois não há absorção desse nutriente”, explica Debora Figueira.
Vítima: Como a gelatina é um alimento muito nutritivo, quem irá se beneficiar dela serão os fungos e as bactérias que vivem no couro cabeludo, o que poderá causar problemas, como caspa e até dermatites mais severas, que enfraquecem os fios.
Sentença de expert: “Atualmente, o gel vendido em farmácias, por exemplo, possui outros princípios de proteção à cabeleira, como óleos e silicones, e tem preços extremamente acessíveis, por isso não compensa recorrer ao método antigo”, conta o cabeleireiro Eron Araújo, do Salão Blend Your Mind, em São Paulo. Além disso, estamos falando de um alimento, ou seja, tem um prazo de validade bem limitado e não dá para saber a quantidade exata de gelatina presente na composição. “Por fim, corre-se o risco de ficar com a cabeleira engomada e com cheiro nada agradável”, ressalta Eron.

5. Loção Antiqueda 


 

Ficha criminal: Na internet é possível encontrar uma receita com confrei, planta conhecida por suas propriedades anti-inflamatórias, álcool e outras substâncias como tiro-e-queda contra o problema.
Vítima: Novamente, é o couro cabeludo que mais sofre, podendo ter dermatites e alergias graves, principalmente com a exposição solar. “Em alguns casos, ocorre a chamada fitofotodermatose, que são queimaduras gravíssimas na região e ao redor dela, a exemplo do que acontece quando expomos a pele ao limão e vamos para o sol”, exemplifica Maurício Pupo.
Sentença de expert: Não existe comprovação científica de que a receita funcione, mesmo que o confrei tenha efeito contra a inflamação, devido à alantoína presente nas folhas. Já o álcool de cereais vai ajudar a remover a oleosidade do couro cabeludo, que é um dos motivos que levam à queda. Mas isso não significa que ele combata o problema. “Esse tipo é amplamente utilizado na fabricação de essências e loções, porém é altamente inflamável e pode gerar irritação nos olhos, nariz e na própria pele”, alerta a tricologista. Por fim, é preciso investigar o que está por trás da queda do cabelo. Muitas vezes são fatores emocionais, como estresse e ansiedade, ou carência de vitaminas. “É importante, inclusive, procurar um dermatologista para investigar e fazer o tratamento mais adequado, podendo indicar o uso de vitaminas e de produtos que vão fortalecer o fio e o bulbo capilar, como os formulados com peptídeos, cafeína e extratos botânicos”, alerta Marcos Proença.

Texto: Aline Dini (edição web: Patricia Santos)
Fotos: Shutterstock

 

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