Alisamento ou relaxamento? Sylvio Rezende responde às principais dúvidas

Por Patricia Santos em seg, 09/01/2017 - 12:14

Por mais que as tendências apontem para um cabelão cheio de caracóis, muitas clientes ainda preferem optar pela cabeleira lisa. Se você ainda tem dúvidas sobre os procedimentos mais adequados, seja alisamento ou relaxamento, o expert Sylvio Rezende responde às principais dúvidas a seguir. Confira!

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Afinal, qua a diferença entre alisar e relaxar?
Para o primeiro, é preciso que o produto seja forte e aja no córtex, modificando definitivamente a forma do fio. Durante o processo, o ativo quebra as pontes de cistina, um dos 18 aminoácidos que compõem a fibra capilar. Depois do tempo de pausa, aplica-se neutralizante para impedir que a substância continue agindo e também religar as pontes de cistina, fixando o novo formato. A finalização é feita com escova e prancha. Para relaxar, reduzindo o volume sem alisar, usa-se a técnica de enluvamento e pente médio a grosso. O trabalho envolve forças suaves nas bases químicas e pausa menor.

O henê ainda é uma opção?
Em salões, não mais, pois é uma substância muito agressiva e condenada por bons cabeleireiros. Quem utiliza essa base jamais poderá mudar para novas químicas, porque não é compatível com outras bases. O henê é composto por metais pesados, como chumbo, e altamente danoso às fibras capilares. Portanto, é bom evitar.

Por que o alisamento com formol é proibido?
Segundo a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), o formol (também conhecido como ácido fórmico ou formaldeído) somente é permitido como conservante e na concentração máxima de 0,2%. Isso porque, se empregado como alisante, é prejudicial para profissionais e clientes. Por ser volátil, causa problemas graves às vias respiratórias. Pode irritar olhos e pele e levar a queimaduras, além de ser apontado como facilitador do câncer. Quanto à beleza, fica igualmente comprometida, pois o formol “plastifica” o fio, levando ao ressecamento, à desnutrição e à quebra.

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O que significa incompatibilidade?
É quando as químicas não contêm o mesmo princípio ativo. Por exemplo, aplicar tioglicolato de amônio em cabelo transformado com hidróxido (guanidina, sódio e lítio) deixará os fios elásticos e haverá ressecamento e quebra. A troca de bases é permitida depois de seis meses, no mínimo, com uso de novo ativo apenas na raiz crescida e após teste de mecha.

Como fazer o teste?
Recomendo separar duas partes finas – uma na fronte e outra na nuca –, aplicar o produto e deixar agir, em média, de 20 a 30 minutos. A partir daí, definir a saúde do fio, o tempo de pausa e a força química a ser empregada. Todos os profissionais devem realizar o teste antes de qualquer procedimento químico para evitar rompimento do cabelo ou sensibilidade.

Bônus: Ativos clássicos
Na hora de alisar ou relaxar, o cabeleireiro tem à disposição guanidina (mistura de hidróxido de cálcio e carbonato de guanidina, de ação intensa e que exige habilidade do profissional), hidróxido de sódio (de ação rápida e intensa), hidróxido de lítio (base com maior potencial de alisamento); tioglicolato de amônio (usado para alisamento, relaxamento e permanente, atua melhor nos cabelos mais finos). Mas há outros, como etanolamina e escovas ácidas.

 

Edição: Annamaria Aglio (edição de web: Patricia Santos)
Fotos: Shutterstock.