Beleza do bem: conheça iniciativas pensadas para um mundo melhor

06/02/2016 | Patricia Santos

Cada vez mais profissionais e empresas têm buscado atender às demandas de beleza sem prejudicar o meio ambiente e os animais, e também investindo em ações sociais. Confira a seguir alguns desses projetos.

Trabalhar em prol de um planeta mais habitável é um desafio, mas ainda não atrai tanta atenção como deveria. Felizmente, há um grande grupo de pessoas conscientes da importância de cuidar da Terra para garantir a preservação de todos. São grifes, fábricas, salões, profissionais e até distribuidores que, preocupados com as gerações futuras, já estão fazendo a sua parte. Uns investem em produtos livres de alguma substância que pode ser nociva à saúde ou causar dor (geralmente, trazem o selo “livre de” ou “free”) e preferem ingredientes orgânicos (quer dizer, aqueles cultivados sem agrotóxicos) e “veganos” (sem uso de elementos de origem animal); outros têm programas de reciclagem de lixo e reaproveitamento de água e por aí vai… O universo agradece. E nós simplesmente amamos!

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Iniciativas bacanas
Conheça as ações de marcas de beleza que produzem cosméticos sem teste em animais e sem agredir a natureza.

Óleos orgbeleza-do-bem5ânicos
A Ng de France tem mais de uma iniciativa em prol de um mundo melhor. Para começar, não realiza testes em animais, tampouco aceita matéria-prima de empresas que testam. Seus produtos, para profissionais e home care, contêm óleos essenciais orgânicos da marca francesa Biossentiel. E mais: sua fábrica, localizada em Osório (RS), conta com teto ecológico que reaproveita borracha (material de difícil decomposição) e trata a água utilizada nos processos de fabricação.

Espécie em extinção
A Acquaflora Cosméticos produz cosméticos com matérias-primas de origem vegetal, isentos de parabenos e corantes e sem realizar testes em animais. Destaque para o patrocínio do Projeto Mutum, que objetiva a reintrodução do mutum-do-sudeste – uma ave à beira da extinção – ao seu habitat: a Mata Atlântica.

Cosméticos “veganos”
Usada por mais de 2,5 milhões de pessoas somente no Reino Unido, a grife Batiste fabrica itens para limpeza e condicionamento dos cabelos a seco. Marca registrada da Church & Dwight Co. Inc., todos os seus produtos são “veganos” e animal-friendly – quer dizer, não usam substância de origem animal nem autorizam testes em bichos.

Visão holística
Umas das pioneiras no conceito cruelty free e na fabricação de coloração 100% vegetal (henna em pó) no País, a Surya Brasil, fundada em 1995 por Clélia Angelon, apoia e desenvolve projetos com foco na proteção dos animais, na preservação do meio ambiente e na qualidade de vida. Possui uma divisão de responsabilidade socioambiental, a Surya Solidária, que promove feira de adoção de animais (realizada mensalmente no Espaço Surya, em São Paulo) entre outras iniciativas. A preocupação em fazer cosméticos em harmonia com a natureza abriu as portas do mercado internacional e, atualmente, a grife “vegana” está presente em mais de 40 países.

Sem crueldade
Criada em 2006, a Sachê Professional acaba de incluir o selo “cruelty free” em suas embalagens. “Além do respeito à vida, entendemos que a prática de testes em animais é cruel e existem outras formas de desenvolver os produtos sem a necessidade de cobaias. Os clientes têm a consciência do dever da indústria em preservar qualquer tipo de vida. Nossos testes são realizados em mechas de cabelos humanos cedidos por nossos cabeleireiros”, explica o diretor executivo Neivo Robson dos Santos. Desde sua fundação, em 1976, a The Body Shop se inspira na natureza para produzir cosméticos 100% “veganos” e não testados em bichos. É precursora na prática do comércio justo, negociando as matérias-primas com pequenos agricultores, artesãos e cooperativas rurais. Financia campanhas para defesa dos direitos humanos, incentivo à autoestima e proteção dos animais.

VERDE & SUSTENTÁVEL
Profissionais, salões e fábricas de cosméticos mostram como é possível , e fácil, apostar no desenvolvimento consciente. Inspire-se nessas ideias!

Prêmio Eco

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Desde sua fundação em 1995 na Inglaterra, a Lush segue a filosofia de criar produtos veganos, sem teste em bichos e com o mínimo de embalagem possível. Além de ser comprometida com os fornecedores, busca fazer os produtos onde são vendidos – o que diminui impactos e gera empregos. Também abraça inúmeras campanhas e tem fundos para ajudar projetos de conservação ambiental, proteção animal e direitos humanos. Anualmente, oferece o Lush Prize, prêmio no valor de 250 mil libras esterlinas (mais de 1 milhão de reais!) aos cientistas que avançarem na erradicação total dos testes em animais.

Salão do bem

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No A Naturalista, a luz natural é aproveitada ao máximo

 

Um aconchegante espaço na Vila Madalena, em São Paulo, abriga o salão A Naturalista, comandado por Simone Prado. “Utilizamos apenas produtos naturais, orgânicos e sem químicas nocivas, todos cruelty free. Também fazemos reciclagem do material descartado e reaproveitamento da água quando possível, como, por exemplo, a desperdiçada pelo ar-condicionado”, conta a cabeleireira, reafirmando que é perfeitamente realizável promover a beleza com itens que não façam mal ao consumidor, ao profissional e ao meio ambiente.

Comércio justo
Aberta há três anos em Florianópolis (Santa Catarina), a pequena distribuidora de cosméticos naturais e orgânicos Caule faz jus aos itens que comercializa. “Orientamos nossos consumidores por meio de palestras para terem mais consciência em prol de um mundo melhor”, diz a idealizadora da empresa, Janine Schmitz. É ela, aliás, a responsável por levar as encomendas feitas pelo site www.cauledistribuidora.com.br de bicicleta até o correio.

Água, água

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A água usada pela Itallian Hairtech é devolvida já tratada à natureza

Duas iniciativas para poupar um dos recursos mais importantes para a sobrevivência da humanidade merecem aplausos. A grife Itallian Hairtech construiu um sistema para armazenamento da chuva (que é utilizada na limpeza e no jardim) e outro para tratamento da água resultante da lavagem dos tanques de produção antes de ser devolvida à natureza em sua fábrica, localizada em Atibaia, cidade a 50 km da capital paulista. Já a recém-inaugurada unidade Jacques Janine Shopping Fashion Mall (na Estrada da Gávea, no Rio de Janeiro) investiu em tecnologia para economizar o precioso líquido: trata-se do sistema de purificação, Specific Hair Water, que retira o cloro e outros componentes prejudiciais ao cabelo. Além desse benefício, o equipamento é ecossustentável, utiliza apenas três litros de água em vez dos usuais 20 litros!

Reciclagem de lixo

 

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Sustentabilidade também está nas bases do Studio W

Os projetos arquitetônicos da rede Studio W já são “verdes”, contando com sistema de captação de energia solar, por exemplo. Mas não é só. “Investimos no descarte consciente e na reciclagem para minimizar malefícios que prejudiquem o nosso propósito de fazer um mundo melhor e mais bonito”, comenta a diretora Rosângela Barcheta. “Os produtos químicos não utilizados (sobras e vencidos) vão para uma empresa responsável pelo descarte correto. E doamos o que pode ser utilizado na produção de novos objetos, como vidro, plástico, madeira e metal”, exemplifica.

Dos pés à cabeça

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Há mais de 30 anos, a esteticista e cosmetóloga Roseli Siqueira cuida da pele das clientes (entre elas, a atriz Guilhermina Guinle e a cantora Fafá de Belém) de maneira mais natural por meio de massagens e produtos livres de substâncias sintéticas. Recentemente, lançou o Elixir Eco-Green, um óleo 100% vegetal que hidrata (e trata) rosto e corpo, à base de macadâmia e baobá.

Onde todos se encontram
No Brasil desde o início do ano, a Horyou (rede social do bem) divulga as iniciativas de pessoas e organizações do mundo inteiro. Ao concentrar os projetos numa comunidade global na internet, favorece a concretização de ideias. “O cadastramento é simples e gratuito. Uma vez inscrita, a pessoa pode criar sua própria página e publicar notícias, projetos e ações positivas”, convida Yonathan Parienti, criador da plataforma. Para saber mais, acesse www.horyou.com.

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Yonathan Parienti está à frente da Horyou, um projeto social para o bem social

 

Inclusão social
Fundada em 1919, a grife Wahl tem projetos sociais e sustentáveis no mundo inteiro. “Fazemos doações de aparelhos para instituições de caridade, de câncer e de apoio à ressocialização de pessoas sem teto e de baixa renda. Quanto à sustentabilidade, temos embalagem 100% de plástico reciclável e outras nas quais deixamos apenas o papel, também 100% reciclável. Duas máquinas para corte que são montadas no Brasil, os modelos Pro Basic e Super Taper, tiveram exclusão da bandeja plástica interna e redução na quantidade de papel de suas caixas”, explica a gerente de marketing Alice Accioly de Faro.

Força biodinâmica

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Com experiência de mais de 90 anos na fabricação de medicamentos antroposóficos e cosméticos com ingredientes naturais e orgânicos, a Weleda detém certificação biodinâmica pelo cultivo de plantas medicinais no Brasil. Esse selo atesta a prática da empresa que respeita os ritmos da natureza e não faz uso de adubo ou defensivo sintético. Sediada na Suíça, conta com uma rede de farmácias em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Minas Gerais, Santa Catarina e Sergipe e loja on-line.

Entenda os termos usados no universo sustentável

FREE – Traduzido como “livre de”, é usado por marcas que eliminam de suas fórmulas substâncias passíveis de provocar alergia e outros problemas, como os parabenos (conservantes) e o tolueno (solvente). Já no caso do carbon free (zero emissão de carbono, que é um dos maiores poluentes da atmosfera), por exemplo, é preciso seguir regras, como o controle de exalação de impurezas e o plantio de árvores referente ao que é emitido na atmosfera. E o cruelty free indica um produto livre de crueldade e costuma ser usado por quem não testa em animais – nem a grife nem as terceirizadas.

NATURAL – Para receber esta denominação, o produto deve conter, no mínimo, 95% de ingredientes naturais ou de origem vegetal.

ORGÂNICO – Apesar de não haver uma lei que regulamente seu uso no mercado de cosméticos, ele precisa ter 95% de ingredientes vegetais certificados como orgânicos sobre o total de componentes vegetais. Toda a cadeia produtiva (plantio, colheita, processamento e manipulação) deve obedecer a normas internacionais.

RECICLAGEM/REAPROVEITAMENTO – O primeiro é um processo de transformação de matérias que voltam ao seu estado original, ou seja, com as mesmas propriedades (metais e alumínio). Já o segundo modifica um material já beneficiado em outro, com características diferentes (papel e vidro).

RESPONSABILIDADE SOCIAL – Prática de empresas que, ao adotarem certas ações, trazem bem-estar para a coletividade e resultam numa sociedade mais justa. Apresentam variantes como Responsabilidade Social Ambiental e Responsabilidade Social Empresarial.

SUSTENTABILIDADE – Define ações que buscam suprir as necessidades atuais do homem sem comprometer o futuro das próximas gerações. Relaciona-se ao desenvolvimento econômico e sem agressão ao meio ambiente e uso dos recursos naturais (como a água) com consciência, sem desperdício. Para ser sustentável, é preciso ser ecologicamente correto, economicamente viável, socialmente justo e culturalmente diverso.

“VEGANO” (OU VEGAN) – Isento de qualquer substância de origem animal ou seus derivados (leite e mel, por exemplo). Também tem de ser cruelty free.

 

Texto: Annamaria Aglio (edição de web: Patricia Santos)
Fotos: Shutterstock e divulagação