Beleza oriental: dicas de experts para um atendimento perfeito

Conheça as particularidades da mulher asiática e prepare-se para agradar em cheio essa cliente tão singular e exigente

07/04/2017 | Redação

Cabelo escuro, grosso, forte e com brilho; pele com fundo amarelo; olhos enigmáticos e puxadinhos. Eis características que costumam descrever muito bem a beleza oriental das japonesas, coreanas, chinesas e suas descendentes.

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Mas atualmente, elas, além de investir em realçar esses traços particulares, estão apostando alto em transformar o visual. Sabrina Sato ousou há anos e, hoje, é comum ver “japas” com mechas loiras, platinadas e até ruivas! E no lugar do fio escurão surgem os azuis, rosas, verdes, pastel… Ousadas, elas também estão investindo pesado em maquiagem, tanto para ganhar olhos de gata quanto para criar uma pele perfeita. Por isso, você precisa estar de prontidão para atender aos desejos dessas clientes especiais, que cada vez mais estão presentes nos salões de beleza porque, segundo o último Censo Brasileiro (2010), a população oriental cresceu quase 200% no País se comparado ao final do século 20 (ano 2000). E não se preocupe, com nosso guia de dicas de tendência, truques e cuidados só para elas, você estará preparado para fazer um atendimento VIP perfeito.

PERFIL DIFERENCIADO

Raio X do cabelo – As asiáticas costumam ter a cabeleira grossa (mas há as bem fininhas também) e forte, cuja cor varia entre castanho-escuro e preto. “Existem três tipos de fios, classificados mundialmente de acordo com a forma de cada um: o caucasoide, da raça branca; os negroides, da negra; e os mongoloides, característicos de pessoas da amarela. Estes últimos têm um formato circular, são espessos e lisos quando comparados aos demais, graças ao fato de possuírem várias capas de células de cutícula. Eles também têm mais melanina do tipo eulelanina (escura), por isso a cor negra da fibra. A distribuição da queratina no córtex é homogênea, conferindo-lhe características como grosso e lisinho”, explica Valcinir Bedin, dermatologista, tricologista e presidente da Sociedade Brasileira do Cabelo (SBC).

Análise da pele – Além desses padrões, a beleza oriental é caracterizada pela cútis mais amarelada, fato que pede uma análise criteriosa para as mudanças de tonalidade do fio. Mas nada é impossível! Ainda bem, pois assim como grande parte das mulheres de todas as raças, elas também desejam ser loiras ou pelo menos ganhar um ar iluminado por meio de luzes. “Como o cabelo tem um pigmento muito escuro se comparado a outros tipos, a descoloração precisa ser vigorosa e, se não for bem-feita, com técnica apropriada, pode fragilizar a haste capilar. Por isso todo cuidado é pouco na hora de realizar esse procedimento químico, para não ocasionar a quebra da fibra”, avisa o médico.

COLORAÇÃO CERTEIRA

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Elas querem ser loiras – Se muitas asiáticas estão optando pela cabeleira clara, cabe ao profissional se preparar para atendê-las com segurança. “Eu acredito que as asiáticas estão se espelhando cada vez mais em top models e atrizes internacionais para alimentar esse sonho e colocá-lo em prática. É verdade que, como elas têm uma pele amarelada, os fios escuros ficam ótimos, pois há um contraste”, defende Sandro Cassolari, hairstylist do salão Square Hair&Care, em São Paulo. O top colorista Juha Antero, do MG Hair Design (SP), concorda. “Eu creio que, no Brasil, Sabrina Sato deu origem a essa tendência. Ela inovou e já passou por todos os tons. Tudo ficou bem nela (até o ruivo), comprovando que não há regras. Sem contar que hoje, bons produtos de clareamento e técnicas seguras causam menos desgaste, permitindo que a cliente possa ter sua vontade atendida”, argumenta.

As melhores nuances – Para Juha, como esse cabelo é pesado e grosso, costuma ser resistente à descoloração. Mas isso não deve ser encarado como um ponto desfavorável, ao contrário, pois evita que o fio sofra muitos danos. “E com produtos tecnológicos, como a linha Olaplex e Fibreplex, da Schwarzkopf, esse processo é amenizado. Hoje, os descolorantes estão avançados”, brinca o top colorista. Além de utilizar bons cosméticos, o profissional deve analisar a harmonia das cores, pois, apesar de não haver regras fechadas, pele e cabelo devem estar em sintonia. “Eu aconselho para as orientais os loiro-escuros, mas se a cliente quiser um blondie, sugira para ela um fundo fechado como base (marrom, chocolate e castanho) e trabalhe mechas douradas, mel e caramelo para garantir naturalidade”, diz Juha.

Platinada? – A beleza oriental pode ser loiríssima sim! “Existem colorações cujos fabricantes alegam proporcionar o efeito logo na primeira aplicação. Eu não recomendo. Prefiro a técnica de descolorir aos poucos, para não danificar tanto os fios”, avisa Sandro Cassolari. Para realçar a beleza de forma sutil, Cassolari aposta na highlight eriçada (usando pente) e o chamado “reflexo de dedo”, que só é feito na superfície da fibra e não a agride internamente. “Não recomendo luzes desde a raiz. Além de ser um look antigo, a durabilidade é péssima”, argumenta.

QUESTÃO DE CORTE

Técnica afiada – O cabelo da maioria das asiáticas é bem liso e escorrido, e a textura varia entre grossa e fina. “Para esse público, evito os haircuts retos e opto pelos repicados para dar movimento e tirar um pouco da seriedade que elas normalmente têm”, analisa Sandro Cassolari. O hairstylist Rudi Werner, do Werner Coiffeur (RJ), conta que as orientais tendem a ter o rosto delicado e existem várias opções de looks. “Elas gostam bastante de curtos perfilados com navalha e franja lateral, além do estilo chanel. Nos pouco volumosos, os cortes em camadas e fios repicados ajudam a dar mais densidade à cabeleira” pondera.

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À BASE DE TRATAMENTO

Lisos saudáveis – De acordo com o tricologista Valcinir Bedin, esse fio é mais resistente que os outros, é fácil mantê-lo saudável. Se ele não passou por processos químicos, indique à cliente lavá-lo em dias alternados, com xampu e condicionador de qualidade e sem grande quantidade de substâncias desengordurantes, uma vez que o cabelo, por ser liso, deixa escorrer sobre ele o manto hidrolipídico produzido naturalmente pelo couro cabeludo. Mas se a cabeleira tem coloração ou luzes, por exemplo, precisa ser tratada com mais atenção. “Primeiro, hidrate-a com proteínas, aminoácidos, queratina. Depois, ofereça emoliência, adotando óleos capazes de dar maciez, como argan, coco, ojon, abacate. O segredo está em dosar corretamente as substâncias: qualquer fibra pode ficar endurecida com muita queratina ou mole demais com excesso de óleo”, ensina.

ARTE DO PENTEADO

Looks suaves – De acordo com Victor Hugo Guimarães, educador da Pivot Point (SP), as características desse tipo de madeixa também influenciam o trabalho do profissional na hora da elaboração do penteado. A espessura do fio, que varia de média a grossa devido ao maior número de camadas de cutícula em sua superfície, por exemplo, torna-o um bom retentor de calor. “Por isso, não deixe de utilizar um eficiente protetor térmico para otimizar a modelagem. Outra forma de obter uma boa performance é lavar a cabeleira com xampu de limpeza profunda. Isso garantirá o máximo de eficiência de produtos como musse, para garantir volume, ou spray de proteção térmica, para obter textura no comprimento e nas pontas”, conta. Os finalizadores devem ser aplicados no cabelo 50% úmido antes das ferramentas de calor. De acordo com o educador, como se trata da cliente oriental, o mais indicado, devido à face arredondada, são penteados com fluidez nas formas, fios soltos, volume no topo da cabeça, franjas diagonais ou, ainda, madeixas texturizadas com ondas.

HALL DE FAMOSAS

Juha Antero, do MG Hair Design, analisa os looks de orientais perfeitos para você se inspirar – e não errar no tom!

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– A atriz Jacqueline Sato tem base marrom e mechas bem fininhas em caramelo e mel, mais claras nas pontas.
Daniele Suzuki, atriz, exibe luzes em tons de loiro, mel e caramelo no comprimento e nas pontas. A novidade é a técnica strobing (iluminação para valorizar os traços): o clareamento é feito na franja e em mechas frontais para “abrir” o rosto.

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Devon Aoki, atriz, tem cabelo uniforme, com mechas fininhas. O fundo amarronzado recebe seções douradas, sendo uma boa opção para a cliente que deseja clarear a cabeleira.
Kelly Hu, atriz, tem uma base mais escura, castanha, e ganhou luzes que saem do topo da cabeça, mas não da raiz, em caramelo e mel.
Magie Q., atriz, desfila um degradê: boa ideia para a asiática que quer aloirar os fios. O efeito faz a passagem de forma sutil, gradativa.

REALCE O MAKE

No Brasil, há uma variação da beleza oriental, assim como a da brasileira. Há diferentes formatos de olhos: mais puxadinhos, côncavos, com cílios curtos. “Mas de forma geral, a intenção de todas elas é aumentar e destacar o olhar”, diz Renato Mardonis, beauty artist de São Paulo. Para ele, o desenho da boca, normalmente, é bem bonito e marcado, o lábio é grosso e, por conta disso, devem evitar o batom escuro. “Pode deixar essa região mais forte. Isso valoriza muito a asiática”, defende. Veja abaixo mais dicas para um look perfeito.

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Olhar intenso – Aplique sombra escura marcando o côncavo e evite as muito claras, uma vez que o olho da asiática é mais “saltado”. Use cílios postiços. “A aplicação dependerá do volume que a cliente já tem. Nos ralinhos, coloque os pelos falsos em toda a extensão do olho. Nos cheios, adicione tufinhos só nos cantos externos. Eu, geralmente, acabo colocando nele inteiro sem ultrapassar o limite do que poderia ser natural”, conta Mardonis. Quer um truque? “Para aumentar suas dimensões, deixe a linha do delineador levemente mais alongada, esfumando-a”, ensina o maquiador.

Esfumado power – Invista em sombra marrom mate acinzentada ou avermelhada. No restante, ilumine com outra mais clara no cantinho interno, desde que a cliente não tenha o olho muito separado. Faça os duetos assim: ilumine com acobreado e marque o côncavo com marrom mate avermelhado; ou opte pela dupla prateada e marrom acinzentada. “E para intensificar o novo desenho da pálpebra, trace o contorno com delineador, que ajuda a ampliar a área, e finalize com máscara preta”, ensina Simone Tinelli, cabeleireira, visagista e maquiadora, do Atelier de Maquiagem (SP).

Pele corrigida – “O ideal é sempre seguir o tom do colo ou do braço. Por isso, procure uma base (vale para todas as suas clientes) que chegue mais perto da cor dessas áreas para não apagar o rosto, deixando-o branco”, aconselha Mardonis. Simone Tinelli conta que algumas marcas de cosméticos, como Make Up For Ever, têm bases corretoras rosadas para fazer a neutralização do amarelado característico da raça. “O produto serve como um primer”, ensina.

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Disfarces precisos – Como o rosto das orientais tende a ser mais redondo, faça a correção. Para deixá-lo angular, afine um pouco abaixo das maçãs, alongando seu contorno. Caso a testa seja muito pequena, use uma base escura ou pó, aplicando-a na raiz do cabelo. “A escolha do blush deve ficar na gama de rosas fechados, que proporciona um equilíbrio bonito com o tom natural da pele. Evite laranja e terracota”, fala Simone. “Para finalizar, use iluminador. Invista no perolado, mas caso a cliente esteja muito morena, opte pelo dourado. Aplique nas têmporas e pontinha do nariz, que costuma ser achatadinho, para empiná-lo. No queixo, se ele for retraído, aplique um pontinho no local para corrigir a área”, finaliza Renato Mardonis.

 

Texto: Carmen Cagnoni (ediçãoo de web: Patricia Santos)
Fotos: divulgação