Boas práticas de higiene garantem a saúde no salão

10/01/2017 | Patricia Santos

Mais do que com a beleza, você deve se preocupar com a saúde da clientela – e com a dos funcionários, além da sua própria, claro. Para isso, existem leis e normas em níveis municipais, estaduais e federais. Se não cumpri-las, poderá entrar na mira da Vigilância Sanitária do seu município – é esse órgão que checa in loco a higiene do local e dos equipamentos.

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Durante uma inspeção sanitária, as irregularidades são apontadas e a pena é aplicada de acordo com a gravidade, obedecendo ao que determina o Código Sanitário Municipal. As multas podem ser pesadas, a ponto de inviabilizar o seu negócio – e o salão, lacrado! Em nível nacional, a regulamentação fica a cargo da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que controla também os produtos usados no estabelecimento, sejam eles nacionais ou importados. Já a obrigatoriedade de esterilização de materiais cortantes consta da Lei nº 12.592, de 18 de janeiro de 2012, que dispõe sobre o exercício das atividades de cabeleireiros, barbeiros, manicures e afins. Além das leis, existem também normas técnicas, de uso voluntário, elaboradas por órgãos como a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), que lançou, em abril deste ano, o Guia de Boas Práticas – Salão de Beleza, com a colaboração do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), também em versão on-line.

Outro ponto que merece a atenção do empreendedor é o Código de Defesa do Consumidor. “Eles estão mais atentos aos procedimentos de higiene do estabelecimento e dos profissionais que prestam serviços na área de beleza”, diz Sandra Regina Bruno Fiorentini, Consultora Jurídica Sebrae-SP. Segundo a advogada, os empresários devem se adaptar ao código, pois o prestador poderá ser responsabilizado se não utilizar equipamentos esterilizados ou descartáveis, que possam causar transmissão de doenças, assim como por alergias e intoxicações a produtos químicos quando não forem realizados testes para verificar o nível de tolerância do cliente ao produto.

BELEZA COM SEGURANÇA
Doenças provocadas por vírus (aids, hepatite B e C), fungos (micoses), bactérias (furúnculos), além de parasitas (piolhos) podem ser transmitidas por utensílios contaminados em salões de beleza – afetando tanto os clientes como os funcionários. Alguns objetos devem ser esterilizados (alicates de unhas e espátulas de metal). Outros, higienizados (escovas, pentes e toalhas) ou descartados (lâminas de navalhas, cera de depilação e lixas de unha, plástico protetor de bacia), de acordo com as finalidades propostas e a legislação pertinente.

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Tudo o que você tem no salão merece atenção. Como são inúmeros itens, órgãos públicos, como as Secretarias de Saúde, publicam manuais voltados aos profissionais. Dois dos mais completos são o Manual de Orientação para Instalação e Funcionamento de Institutos de Beleza sem Responsabilidade Médica, do Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo, e o Guia Técnico para Profissionais de Beleza, feito pela Covisa, Coordenação de Vigilância em Saúde, órgão ligado à Secretaria de Saúde do Município de São Paulo. Fizemos um compilado com as instruções desses guias, assim como o do já citado da ABNT/Sebrae.

CUIDE DO AMBIENTE
Ventilação, tipo de revestimento, banheiros… Tudo isso tem de ser levado em conta. Observe atentamente estas orientações:

ATENÇÃO MÁXIMA!
Cuidado com instrumentos cortantes, como alicates de cutículas, espátulas de metal e navalhas, entre outros. Eles podem penetrar a pele e a mucosa, portanto, necessitam de esterilização após o uso, para se tornarem livres de quaisquer microrganismos capazes de transmitir doenças. A esterilização se dá por meio do calor seco (estufa) ou vapor de água sob pressão (autoclave). Fornos elétricos ou equipamentos com lâmpada ultravioleta não servem para isso. Antes de colocar o utensílio na estufa ou autoclave, lave-os e enxágue-os cuidadosamente para remover os detritos. Em seguida, enxugue-os para eliminar a umidade.

AUTOCLAVE: depois de lavados, devem ser acomodados em embalagem que permita a passagem de vapor. Utensílios de inox e vidro devem permanecer por 15 minutos a 121°C. Produtos indicados: alicate de cutículas e de cortar unhas, lixas metálicas.

ESTUFA: depois de lavados, devem ser colocados em estojos de alumínio ou aço inoxidável, tipo marmita, ou em envelopes próprios para esterilização em estufa. A temperatura para garantir a desinfecção é de 170°C por uma hora ou 160°C por duas horas. O equipamento não deve ser aberto durante a esterilização, caso contrário, o processo vai ser interrompido. Produtos indicados: alicate de cutículas e de cortar unhas, tesouras. Em ambos os casos, é preciso colocar a data da esterilização – a validade é de sete dias – na embalagem.

CUIDADOS ESPECIAIS
MANTENHA AQUELES UTENSÍLIOS BÁSICOS DO DIA A DIA DO SALÃO IMPECAVELMENTE LIMPOS. VEJA COMO!

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TIGELAS DE VIDRO, PLÁSTICO OU DE AÇO INOX: usadas para colocar água destinada ao amolecimento de cutículas das unhas das mãos ou dos pés. Devem ser lavadas com água e sabão a cada atendimento e revestidas com protetores plásticos, descartáveis, para cada cliente.

PENTES E ESCOVAS: para higienizá-los, coloque-os em solução de água e detergente, ou sabão em pó, por 30 minutos após o uso em cada cliente. Mantenha quantidade suficiente para fazer esse processo a cada utilização.

TOALHAS DE TECIDO: use uma para cada procedimento, independente de ser a mesma cliente. Devem ser lavadas em lavanderia ou de forma doméstica, com água e sabão, e passadas a ferro quente. Preferencialmente, embaladas em sacos plásticos.

LIMPEZA, DESINFECÇÃO OU ESTERILIZAÇÃO: QUAL A DIFERENÇA?

LIMPEZA: consiste em lavagem, enxágue e secagem do material, com objetivo de remover totalmente os detritos e sujeira.

DESINFECÇÃO: elimina a maior parte dos germes patogênicos, com exceção dos esporos (germe mais resistente). Pode ser feita com álcool a 70%.

ESTERILIZAÇÃO: elimina todos os microrganismos patogênicos, inclusive os esporos. A esterilização nos salões de beleza deve ser mediante aplicação de processos físicos (autoclaves e estufas).

HIGIENE É VIDA!
Aqui, as boas práticas que todo cabeleireiro, barbeiro, manicure e podólogo devem seguir antes e depois de cada serviço, indicadas pelas Secretarias de Saúde do Estado de São Paulo e do Município de São Paulo.

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CABELEIREIRO E BARBEIRO

ANTES
Lavar as mãos antes dos atendimentos. • Perguntar se possui alguma alergia aos produtos que serão utilizados. • Utilizar lâminas novas a cada cliente e descartá-las após o uso. • Proteger-se com luvas ao fazer uso de química.

DEPOIS
Higienizar as mãos. • Limpar escovas e pentes, removendo os cabelos, após cada uso. • Lavar todos os utensílios utilizados com água e sabão líquido ou detergente após cada atendimento. • Descartar as lâminas utilizadas em recipientes rígidos. • Retirar do chão os cabelos do corte.

MANICURE E PODÓLOGO

ANTES
Lavar as mãos antes de atender cada pessoa. • Abrir a embalagem dos alicates, espátulas e outros instrumentos de metal na frente do cliente. • Retirar as toalhas da embalagem plástica na frente do cliente. • Manter o material de trabalho (algodão, esmaltes, removedor de esmalte e lixas novas) organizado em maletas ou gavetas. • Guarde o algodão em pote com tampa. • Perguntar ao cliente se possui alguma alergia a esmalte ou outro produto a ser utilizado. • Jogar no lixo os materiais descartáveis ou de uso único, como algodão, lixas de unha, protetor de cuba e de bacia, lâminas, etc. • Colocar luvas descartáveis e só retirá-las quando concluir o serviço. • Borrifar álcool 70% nas unhas da pessoa antes do procedimento para evitar infecções.

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DEPOIS
Higienizar as mãos. • Lavar e esterilizar todos os instrumentos utilizados ou não, pois mesmo sem uso, estarão contaminados e devem estar limpos e desinfetados para o próximo cliente. • Limpar as bacias e cubas com água e sabão líquido ou detergente após cada uso. • Colocar os instrumentos utilizados em caixa plástica lavável, sinalizada com “Instrumentos Contaminados” e prepará-los para o processo de esterilização. • As lâminas empregadas nos procedimentos de podologia devem ser descartadas em recipiente rígido para produtos perfurocortantes.

 

Texto: Olga Penteado (edição de web: Patricia Santos)
Fotos: Shutterstock.