Descubra como escolher corretamente os acessórios para um alisamento perfeito

01/12/2015 | Patricia Santos

É impossível realizar qualquer técnica para alisar as madeixas sem um kit completo de apoio, das luvas à prancha. O que parece um “detalhe” de todo o processo é, na
realidade, a garantia da qualidade do seu serviço. Mas eles podem virar inimigos caso você desconheça como usá-los, limpá-los e, principalmente, quais convocar para entrar em campo! Em matéria de procedimento químico, tudo importa: o material do grampo, a temperatura da prancha, a posição do pente… Anote as recomendações de quatro experts sobre esses itens em quatro diferentes tipos de alisamento!

HIDRÓXIDO DE GUANIDINA
A educadora Vania Conceição, de L’Oréal Professionnel, revela quais são os melhores
itens para usar nesse procedimento que dilata a estrutura do fio, abrindo a cutícula para permitir a entrada e a ação do ativo no córtex. É indicado, principalmente, para mudar a estrutura de cabeleiras muito crespas.
O BÁSICO – Os hidróxidos provocam ardência em contato com a pele, por isso é imprescindível o uso de luvas e, para a cliente, capa e protetor para o couro cabeludo.
GRAMPOS – Jamais use os metálicos. Sempre opte por pregadeiras ou clipes de plástico para fazer as divisões com mais segurança e sem risco de qualquer tipo de acidente.


PENTE E ESCOVA – Nos dois casos, nada de metal, nem mesmo no cabo, ou seja, os de plástico são ideais. O pente, aliás, jamais deve ser usado para desembaraçar os fios. Faça a manipulação com as costas dele, de cima para baixo, no sentido das cutículas.
SECADOR E PRANCHA – O primeiro é permitido sempre plugado na temperatura necessária para um brushing normal. Já a chapa deve ser evitada no dia do relaxamento, pois as madeixas não devem ser expostas a excesso de qualquer tipo de fonte de calor.

HIDRÓXIDO DE SÓDIO
O educador da grife Matrix, Aloísio filho, revela o arsenal ideal para o alisamento feito com essa substância que age no córtex, onde quebra as ligações de enxofre, localizadas entre dois aminoácidos chamados cistina. Esse método, aliás, não é indicado para quem tem coloração ou qualquer descoloração dos fios.
O BÁSICO – Capa, luva, pente e prendedores.
GRAMPOS – Opte sempre por prendedores plásticos. A química pode oxidar os de metal e ocasionar problemas durante o processo.


PENTE – Deve ser de material carbonado ou com efeito antiestático (ionizado), pois evitam que o atrito durante o processo eletrize os fios. Cuidado ao pentear as madeixas, se o fizer sem a química ter desestruturado as camadas internas pode causar o inchaço da fibra, levando à perda de elasticidade. De maneira geral, pede-se uma pausa de cinco minutos antes de ajeitar.
ESCOVA – Jamais use as rígidas com cerdas em náilon, pois esse material concentra a temperatura, elevando-a, o que pode causar até queimadura. Prefira as mistas e com distribuição do calor na parte interna. As mais indicadas são as de cerâmica e porcelana.
SECADOR – Os aparelhos a partir de 1.900 watts já oferecem uma boa secagem aos cabelos alisados com hidróxidos. Qualquer potência inferior aumenta os riscos de as madeixas ficarem com frizz e sem brilho. Mas cuidado para não esfregar o bico do equipamento muito quente no fio, danificando-o.
PRANCHA – Prefira as de cerâmica e porcelana, com controle de calor, evitando, assim, qualquer risco de desidratar as madeixas alisadas. Tente usar a temperatura de 180ºC.

HIDRÓXIDO DE LÍTIO
Nino Braz’il, técnico da Live.Life Professional, indica o kit perfeito para usar com essa substância, que quebra as ligações de cistina. No entanto, ela não é compatível com mechas e descolorações, pois os fios enfraquecidos podem emborrachar e até cair.
O BÁSICO – Capa, luvas, cumbuca, pincel, pente e balança de precisão.
GRAMPO – Prefira o tipo bico de pato. Este modelo permite dividir e, ao mesmo tempo, prender bem a mecha. Use-o em todas as etapas, até mesmo no lavatório, para separar as seções e ter certeza de que todas foram muito bem enxaguadas.
PENTE – Deve ser fino e de plástico. Após a aplicação do produto, comece alinhando cuidadosamente o cabelo. Depois de 15 minutos, não utilize-o novamente, pois o fio estará mais sensível e o pente poderá danificá-lo. Neste momento, apenas enluve.


ESCOVA – Prefira aquelas com cerdas de javali, que diminuem o atrito com a fibra capilar, aumentando o brilho. Aposte naquelas com turmalina, uma pedra que, quando aquecida, emite uma quantidade de íons capazes de selar as cutículas dos fios, alisando-os ainda mais e deixando-os macios e cheios de brilho.
SECADOR – Os mais indicados são os aparelhos que liberam milhares de íons para selar as cutículas e, assim, garantir o brilho. Atenção: opte pela regulagem morna e faça tração suave, pois o fio passou por uma transformação estrutural.
PRANCHA – A melhor escolha recai sobre aquelas munidas com termostatos criados para regular a temperatura. Esta, por sua vez, deve permanecer nos 180ºC durante o serviço.

TIOGLICOLATO DE AMÔNIO
Iguatemir Nascimento, técnico da UK Connection e cabeleireiro do Salão Copacabana Palace (RJ), revela qual o melhor kit para ser usado nessa técnica que desestrutura as cadeias internas da fibra. O método é para cabelos crespos, proporciona resultados naturais e jamais deve ser feito em fios loiros coloridos, com mechas, descoloridos ou naqueles que já tenham passado por químicas à base de guadinina. A incompatibilidade entre eles pode levar à quebra das madeixas.
KIT BÁSICO – Grampos, bacias e pentes.
GRAMPO – Use os de plástico porque são mais resistentes. Lembre-se de que o tioglicolato é um amoníaco que, em contato com metal, altera a química do produto. Em último caso, pode ser usado no começo para dividir o cabelo.
PENTE – Fuja dos metálicos, mesmo que seja apenas no cabo, pois, como se sabe, afeta negativamente o ativo. Para a aplicação do cosmético, ele deve ser posicionado paralelamente ao couro cabeludo, mas sem encostar nele. Depois de aguardar entre 30 e 50 minutos, com as costas do acessório, enluve toda a cabeleira a partir da nuca, sempre de cima para baixo.
ESCOVA – É importante usar as de cerdas naturais, como de javali, com cabo de madeira. Verifique se não há metal, por exemplo, na parte interna. Utilize-a para uma leve modelagem, pois o cabelo já estará liso nesta etapa.


SECADOR – O ideal é usar os mais potentes, até 1.900 watts, com opções de temperatura e velocidade. Porém, opte pela regulagem no morno e não no quente, assim evita-se causar qualquer tipo de dano.
PRANCHA – Utilize aparelhos de cerâmica ou titânio por promoverem um resultado duradouro e muito mais eficaz. As mechas devem ser finas e pranchadas no final do processo.

Texto: Geiza Martins (edição de web: Patricia Santos)
Fotos: Shutterstock