Exclusivo: Max Weber fala sobre vida, carreira e moda

Conhecido como um dos beauty artists mais completos do país, o expert já assinou a capa de 300 revistas nacionais e internacionais

24/03/2017 | Patricia Santos

Em um bate papo exclusivo, o expert revelou detalhes da vida, da carreira e do mundo da moda

Em um bate papo exclusivo, o expert revelou detalhes da vida, da carreira e do mundo da moda

Conhecido como um dos beauty artists mais completos do país, Max Weber já assinou a capa de 300 revistas nacionais e internacionais, exaltando a beleza de inúmeras celebridades, como Naomi Campbell. A übermodel, inclusive, só confia a ele os cuidados dos seus cabelos quando vem ao Brasil.

No auge da adolescência, quando nem sonhava ser cabeleireiro, Max Weber já queria conhecer Naomi Campbell. “Era a época das supermodels, eu tinha uns 14 anos. Mas como iria chegar até ela? Eu, morador da zona leste de São Paulo?”, recorda. O que ele não sabia era que a vida mudaria muito e o transformaria em um dos mais requisitados beauty artists nacionais. Em uma longa conversa sobre a vida, a carreira e o universo da moda, Max Weber nos confidenciou momentos marcantes e boas histórias que você vai conhecer a partir de agora.

Cabelos&cia: Como você ingressou no mundo da beleza?
Max Weber:
Tive alguns empregos nada a ver. Fui office boy, trabalhei como auxiliar de escritório e não pensava em ser cabeleireiro. Quando pequeno, gostava de brincar e pentear minhas irmãs, mas não levei isso a sério. Aos 21 anos, minha mãe me matriculou em um curso em Artur Alvim, pois achava que essa era a profissão certa para mim. Seis meses depois, resolvi me aperfeiçoar em maquiagem e comecei a trabalhar em um lugar onde corte custava R$ 1! Era um cabelo atrás do outro. Quando me dei conta, ganhava o mesmo valor de caixinha e tinha cliente que voltava e só queria ser atendida por mim. Depois, fui fazer parte do casting da agência Molinos&Trein, na qual fiquei por dois anos. Em seguida, BLZ, por apenas um mês, e Metamorphose, por um ano e seis meses.

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E como era fazer parte de agências?
Trabalhava dia e noite, fazia maquiagem em feiras, congressos e em muitas viagens pelo Brasil. Foi quando conheci inúmeras modelos, fotógrafos famosos, como o JR Duran e Bob Wolfenson, e assinei minha primeira capa, para a Vogue Espanha, com a Isabeli Fontana. Na primeira agência, ganhava R$ 300 por mês maquiando uma ou mil mulheres, e com esse salário tinha de pagar condução, almoço e cigarro. Mas sabia que valeria a pena e que iria evoluir profissionalmente. Quando entrei para a Gloss, recebi o convite para trabalhar no desfile da TNG, durante o Fashion Rio. E a estrela da marca era a Naomi Campbell.

Foi assim que chegou até a top?
Sim. O chefe da equipe era o Daniel Hernandez, que me pediu para atendê-la. Ela gostou muito da pele que preparei. Sabe, não é todo profissional que acerta na maquiagem para negras e ela se encantou. Tanto que até hoje sou chamado por ela quando está no Brasil. Depois de maquiá-la, recebi o convite para fazer a campanha e mal pude acreditar. Além de ter meu sonho realizado, o que aprendi sobre contornos funcionou e recebi meu primeiro grande cachê. Uma das maiores dificuldades do início da carreira era saber que a minha intuição iria me levar a caminhos mais seguros.

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Max Webber maquia sua musa Naomi Campbell

Um dos grandes feitos para um beauty artist é conceber a beleza de um desfile. Como é isso para você?
É incrível fazer parte de um grupo de pessoas que multipl icam a ideia, dão imagem a uma coleção que tem você como criador, se tornando responsável por vários itens. Tem todo um aparato antes, o teste e a concepção da beleza, cabelo e maquiagem. A equipe precisa ser profissional e sintonizada em cada passo. Desenvolvemos um mapeamento de quantas modelos serão, dos horários de chegada… Geralmente, estamos no local de quatro a cinco horas antes de o evento ser realizado. A equipe é formada por cabeleireiros e maquiadores de confiança e assistentes. Fazemos fotos antes e explicamos na prática o que precisa ser feito. Tudo anda como um relógio. Quem chega, quem sai, a hora do stylist e da estilista, as celebridades convidadas e a fila. Já nessa fase, segundos antes de entrar, damos os últimos retoques nas modelos. É fundamental conhecer bem a equipe, estipular dias antes os produtos que serão usados, baseados nas tendências da temporada e da estação. Tudo deve ser o melhor.

Como é liderar a equipe nessa hora?
É fácil quando você já está há algum tempo fazendo. A confiança é o mais importante e a troca de retribuição de trabalho também. Para os desfiles, busco inspiração na música, no cinema e nas artes, como nos livros dos pintores Caravaggio e Da Vinci. Tudo pode nos influenciar.

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Parece cansativo, mas vale a pena?
Super. É o fechamento de um ciclo para começar outro. Rápido e muitas vezes estressante. Mas é incrível conseguir juntar pessoas com o mesmo propósito de vida e ainda trabalhar com amigos e profissionais para festejar a beleza universal. O poder da transformação, colocando luz ou retirando, é incrível, tem mil possibilidades.

Qual o segredo para ficar por dentro das tendências da moda?
Pesquisar muito e sempre. Em revistas, livros, exposições de arte, TV, internet… Qualquer coisa pode ser interessante e inspiradora.

E trabalhar com celebridades?
O trabalho é um só, direcionamos para o ponto que queremos atuar e, então, força na peruca! É preciso ser sempre generoso. Além da Naomi Campbell, já atendi Milla Jovovich, Carol Trentini, Raquel Zimmermann, Xuxa, Ana Beatriz Barros, Ivete Sangalo, Claudia Leitte, Glória Maria, Cara Delevingne, Karlie Kloss, Candice Swanepoel, Monica Bellucci, Fátima Bernardes e Fernanda Torres.

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Você fez outros cursos? E quanto aos prêmios que já ganhou, de qual se orgulha mais?
Fiz muitos cursos, dentro e fora do Brasil, e me aperfeiçoei em técnicas de empresas como Paul Mitchell, L’Oréal Professionnel e Wella Professionals. O primeiro prêmio foi incrível, dois Avon de maquiagem. Depois veio o Moda Brasil, na categoria Hairstylist, importantíssimo para mim. Recebi, ainda, dois Cool Awards e uma homenagem pelo conjunto da obra, também da Avon.

Nesses mais de 20 anos de carreira, você deve ter passado por muitas situações. Qual foi o maior desafio?
Sou um cara de sorte e quero continuar a ser, sem cair na mesmice, que é o pior inimigo de um profissional. Existe uma linha muito tênue entre o belo e o que passa do ponto, fica feio ou cafona. Não acho que precisamos rebaixar o outro para se sobressair. Certa vez, na África, acordei às 3h30 para fazer uma foto ao nascer do sol, que era a melhor luz. Tinha de ser rápido e preciso para realçar a beleza no menor tempo possível. Precisamos saber o que vai aparecer na imagem e focar nisso. Não é fazendo de qualquer jeito que vai ficar bonito.

Você consegue separar o que gosta mais: cabelo ou maquiagem?
Eu amo os dois e é sempre um desafio continuar criando e trazendo ideias novas para as duas áreas. Não vejo dificuldade em nada na minha carreira. Acho que o amor derruba qualquer barreira. Se fosse dar um conselho para quem está começando, diria para ser ousado e muito mais ousado ainda. Mas é preciso ir com calma, para não cometer erros.

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O que um profissional precisa fazer para ser um expert como você?
Nossa, que pergunta difícil… Não desistir diante de qualquer dificuldade. Acho que é isso.

Qual a importância das mídias sociais em sua vida?
Sou de um tempo que isso não existia e sou capaz de valorizar cada gesto. Curto e vejo as ações. Profissões como a nossa, que são exercidas atrás da cena principal, não apareciam e hoje ganham destaque por conta das redes sociais e internet. Agradeço por isso e posso me reinventar, mostrar o que vejo, o que gosto e onde estou vivendo, com quem estou trabalhando. Coisas desse tipo.

O que falta para você se sentir realizado?
Eu já sou realizado, de verdade, mas sempre pintam novos desejos. Fiquei muito feliz agora por assinar meu primeiro editorial de cabelo para uma revista como a CABELOS&CIA. Era meu sonho. É sempre bom conhecer novos profissionais, aprender e mudar o jeito que fazemos as coisas. Isso é essencial para melhorarmos nosso próprio negócio.

 

Texto: Katia Deutner (edição para web: Patricia Santos)
Fotos: Gustavo Arrais, divulgação e acervo pessoal