Experts dão dicas para calcular, com sabedoria, o valor dos serviços

Por Patricia Santos em ter, 27/09/2016 - 19:45

Você sabe como calcular o valor a ser cobrado dos clientes por cada um dos serviços oferecidos no seu salão? E já pensou na maneira mais apropriada de comunicar esses preços à clientela? Veja a seguir dicas preciosas de especialistas.

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Atenção, proprietários, cabeleireiros, maquiadores, manicures e esteticistas! Se você ainda não sabe, é bom ficar atento: a hora de cobrar é tão importante (ou mais) quanto um trabalho bem realizado. Afinal, o assunto bolso é delicadíssimo. Essa pauta, por exemplo, surgiu de uma experiência bem sintomática desse problema. Por razões particulares, liguei para um salão perto da minha casa para saber o preço de um corte. A recepcionista me informou que custava de R$ 90 a R$ 250. Quis entender o motivo da variação dos valores, que, veja, mais do que dobrava, e a resposta que obtive foi simplesmente: “Depende do corte”. E foi só. Por mais que eu tentasse arrancar informações mais detalhadas para descobrir quanto custaria conhecer aquele novo estabelecimento na minha vida, só consegui saber que poderia gastar por volta daquele orçamento sem pé nem cabeça. O resultado? Aquele salão deixou de ganhar uma nova cliente.

Segundo Rui Mendes, consultor da Negócios e Beleza, a clareza é imprescindível para o sucesso de qualquer negócio. Ou seja, não foi a oscilação de preços que fez o lugar perder uma oportunidade, mas sim a falta de precisão sobre o valor do serviço. “A cada dez ligações de novos fregueses, apenas um comparece para conhecer e entender como funciona. Quanto mais claro você for, mais fácil é colocar a clientela para dentro”, analisa.

TRANSPARÊNCIA SEMPRE

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A prática descrita acima de cobrar preços diferentes, então, seria errada? Ela pode ser adotada, sim. O problema não está em diversificar valores, mas em deixar o cliente confuso. “Há lugares que cobram pela cara da pessoa. Isso não pode acontecer. Estabelecimentos assim não sobrevivem muito tempo”, comenta Rui. Segundo o especialista, as categorias precisam ser declaradas, o proprietário deve estipular as regras e deixá-las muito claras para sua equipe repassá-las à freguesia. “No caso do estabelecimento que pede de R$ 90 a R$ 250, cabem aí até 160 cortes diferentes. Se eles lhe dessem a conduta da cobrança, você saberia quanto iria pagar e não deixaria de ir conhecer”, diz.

gestao-preco-certoNA ENTRADA
Assim como muitos restaurantes, alguns salões penduram uma tabela na porta de entrada. Pode ser agressivo? Não! Segundo Rui, escancarar os preços leva diretamente aos fregueses a informação que eles precisam saber. “Jean Louis David, a maior rede do mundo, adota essa atitude. Quanto mais direta for essa comunicação, melhor ”, revela. O Berlin Hair (SP), um estabelecimento “modernete”, criou uma estratégia parecida, mas em vez de colocar na porta, publicou em seu site na internet. “A vantagem é a otimização do nosso tempo e do da cliente. Assim evitamos que liguem apenas para perguntar sobre preços”, comenta Milly Olmos, diretora artística. A tabela inclui o valor de todos os serviços oferecidos no lugar.

POR TAMANHO
Se for dividir em curtos, médios e longos, seja para cortes ou escovas, a recomendação é deixar visível ao freguês quais são esses parâmetros “Se for marcar na orelha para curtos e nos ombros para médios, explicite isso”, comenta Rui. Para chegar lá, vale, inclusive, buscar referências visuais na internet, imprimi-las e deixá-las ao alcance de todos. Pode pendurar próximo ao caixa ou criar uma pastinha com as regras. “Com o desenho, todo mundo saberá o que está sendo negociado”, diz.

MENU DE MECHAS

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Cuidado na hora de precificar esse serviço tão desejado. “O maior erro é ter 30 tipos de preço. Se vai fazer ombré hair, é apenas um valor, por exemplo”, comenta. Se for cobrar por técnicas, tente simplificar os tipos existentes. Quanto mais a informação for direta para seus funcionários e clientes, menos você sai perdendo. Por exemplo, um só tipo de mechas custa X, mas se forem duas diferentes em um visual, pode sair por Y. “A coloração pode ser tarifada por quantidade de tinta utilizada”, aconselha.

A LAVAGEM

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A hora de higienizar as madeixas também pode ser um momento de distinguir preços. Essa operação deve ser sempre a melhor possível, a qualidade do xampu já é um variante. No Berlin Hair, a cobrança é diferente para os produtos tradicionais e os especiais. “Uma lavagem ‘normal’, por assim dizer, é feita com o xampu comum. Enquanto uma pessoa com coloração, por exemplo, necessita de outros tipos de cuidados especiais”, afirma Milly Olmos. É neste momento que os cabeleireiros sugerem itens adequados aos fios, promovendo benefícios aos cabelos da freguesa, e sabendo cobrar por isso.

OS TOPS

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Além do grau de técnica, há outro fator que pode variar (e esse é o mais especial de todos): o profissional. Sim, um maquiador ou um cabeleireiro renomado pode e deve ter seu trabalho diferenciado dos demais. “Principalmente aqueles que estão em evidência na mídia. Em redes de salões bastante conhecidas, por exemplo, normalmente cada um tem um preço, daí não existe uma tabela”, comenta Willian Lin, diretor do Instituto i9C.

EXPERTISE

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O nível de habilidade técnica também é um diferencial para estabelecer uma hierarquia. A empresa funciona de acordo com o serviço, portanto, um retoque de raiz pode ser feito por um auxiliar, já uma coloração tridimensional, por exemplo, requer um colorista experiente e mais tempo. “Isso tem de ser cobrado pelo profissional e pelo procedimento”, afirma Rui. Todavia ele alerta: “O grau de formação é um bom medidor, mas apenas para redes mundiais ou grandes salões, pois categorizar pode criar um clima tenso em uma equipe pequena”.

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Para William, cliente novo, geralmente, paga sem reclamar por uma cobrança injusta, mas em contrapartida, nunca mais volta. “A natureza do ser humano é ter vergonha de perguntar e não poder bancar”, conta. Um modo de evitar é criar uma pesquisa para quem está vindo ao salão pela primeira vez. “Organize um questionário curto direcionado para a qualidade do serviço, mas também considerações sobre se o preço é justo e se é importante saber antes quanto vai pagar”, finaliza.

 

Fotos: Shutterstock.