Manicure segura: proteja-se contra contaminações

05/01/2016 | Patricia Santos

Você sabia que durante um simples serviço de manicure podem ser transmitidas várias doenças como os vírus das Hepatites B e C, HIV, além de micoses? Preveni-las é obrigação de todo profissional, preocupado não só com o próprio bem-estar, mas também com o da clientela. Afinal, não existe beleza sem saúde, não é? A seguir, a gente traz um verdadeiro dossiê para manter a segurança no seu dia a dia. Confira!

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Entre 2006 e 2007, a enfermeira Andréia Schunck, do Instituto Emílio Ribas, em São Paulo, realizou uma ampla pesquisa com manicures da capital paulista. Na ocasião, cem profissionais participaram da iniciativa, sendo que metade delas trabalhava em salões de shopping centers e as demais, em estabelecimentos de bairro. Todas tiveram de responder a um questionário e fornecer amostras de seu sangue para análise.

O resultado foi aterrador: oito tinham hepatite B e duas, hepatite C. Apenas 26% das entrevistadas faziam a esterilização dos instrumentos em autoclave, mas ninguém sabia usar o equipamento adequadamente. A maioria, 72%, desconhecia a forma de transmissão da hepatite B e 85% não sabia como se pega a hepatite C. Mais de 90% delas tampouco tinha conhecimento de como essas enfermidades podem ser prevenidas e nenhuma lavava as mãos entre uma cliente e outra.

Assustador, não? Você sabe do que se tratam essas hepatites? Segue rigorosamente um protocolo de esterilização e proteção para afastar o risco de contaminação por esses vírus e pelo da AIDS? Infelizmente, muitas profissionais de unhas pegam e transmitem doenças dentro do seu local de trabalho por meio de sangue contaminado. Evitar esses males, cara manicure, exige muitos cuidados, é verdade, mas compensa: afinal, é a sua vida que está em jogo.

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Manicures têm direito a se vacinar contra Hepatite B na rede pública de saúde. Vá ao posto e solicite a imunização.

 

Objetos cortantes, como alicates, espátulas, afastadores, etc., podem ser o vetor para o contágio de vírus como os da hepatite B e C e o HIV, causador da Aids. Quando você dá aquela picadinha na mão da cliente e o sangue dela entra em contato com um ferimento da sua pele, existe o risco de contaminação. Por isso é tão importante usar luvas o tempo todo e esterilizar o material cortante em autoclave. De acordo com a microbiologista Liliana Donatelli, a esterilização feita com esse equipamento é muito mais segura. Ela segue uma tendência que veio da área de saúde e entrou com tudo na de beleza: “As estufas estão proibidas em vários estados do País”, acrescenta a expert. Rosângela Barchetta, sócia da rede Studio W, em São Paulo, não só utiliza autoclaves em seu salão como mantêm técnicos responsáveis pela esterilização. “Ela é feita em três processos diários, mas vale ressaltar que só tem validade de sete dias. Se o kit com os instrumentos não for utilizado, precisa ser lavado, empacotado e recolocado no autoclave”, explica.

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É importante ter uma rotina para realizar o procedimento. Calcule o número de clientes e de kits necessários para atendê-las durante cada período do dia e determine os horários para efetuar a esterilização. Ela pode ser feita, por exemplo, pela manhã e à tarde. Liliana recomenda ter, pelo menos, seis conjuntos com alicate e espátula por manicure, número que pode variar de acordo com a demanda de cada salão.

Veja aqui o passo a passo para uma esterilização segura.

HEPATITE, NÃO!
Os vírus das hepatites B e C atacam o fígado. Eles podem ser transmitidos durante relações sexuais sem proteção, pelo compartilhamento de seringas na utilização de drogas injetáveis, por transfusão de sangue e realização de cirurgias, tatuagens, colocação de piercings e serviços de unhas sem esterilização adequada.

Nestes últimos casos, tanto clientes ou pacientes quanto os profissionais que efetuam tais procedimentos correm o risco de infectar-se. Você já viu um cirurgião fazer seu trabalho sem colocar luvas? Então por que as manicures ainda têm tanta resistência a usar essa proteção? Luvas evitam o contato com o sangue contaminado. Simples assim.

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Lembre-se: um dos maiores problemas das hepatites virais é que elas são doenças silenciosas. Você pode ter o vírus e ficar anos sem saber que está infectado. Ambas podem se apresentar de forma aguda ou crônica e evoluir para uma cirrose. Não é muito melhor se prevenir? Aliás, há uma vacina para a hepatite B (para a C ainda não existe) que está disponível na rede pública de saúde. Manicures têm direito à imunização, que é feita em três etapas. Depois de receber os três ciclos, peça ao médico um exame de sorologia para verificar se a vacina pegou.

XÔ, FUNGOS E BACTÉRIAS
Já pensou se uma cliente fiel chega no salão dizendo que pegou micose depois de ter passado pelas suas mãos? Você, certamente, ficará chateada e pode até se sentir injustiçada. Mas saiba que essa contaminação é bastante possível, viu? Os agentes causadores das micoses podem estar no pauzinho de laranjeira que andou de pessoa em pessoa, naquela lixa que foi reaproveitada, na toalha que permanece um dia inteiro em cima da sua mesinha servindo a várias sessões de manicure… E, por fim, onde ninguém poderia imaginar: no esmalte!

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Isso mesmo. Um estudo feito em 2013 pela microbiologista Margarete Gottardo, da Faculdade Estadual de Medicina de Rio Preto, em São Paulo, descobriu que a química do produto não é capaz de eliminar fungos que transmitem doenças para as unhas. Eles sobrevivem por horas dentro do vidrinho e, durante esse tempo, vão contaminando todas as pessoas que utilizarem seu conteúdo. Logo, se você pincelou o cosmético em uma unha doente, deve jogá-lo fora após o uso. Também é obrigação da profissional orientar sua cliente – com muito jeitinho, é claro, – a procurar um médico dermatologista para tratamento adequado.

É DEVER DE TODA BOA MANICURE:

1. Vestir-se de maneira adequada: calça comprida, blusa de manga, avental e sapatos fechados.
2. Lavar as mãos com sabonete líquido e secá-las com papel toalha toda vez que tirar ou colocar as luvas, sempre que for atender uma cliente e depois de um procedimento.
3. Usar luvas, máscara e óculos protetores para evitar que os olhos sejam atingidos por pedaços de unhas. Atenção: as luvas devem ser colocadas no lixo após o atendimento. Nada de lavar e usar de novo, viu?

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4. Esterilizar todos os instrumentos de metal utilizados em seu trabalho.
5. Abrir o kit com alicate e espátula esterilizados diante da cliente. Após o uso, acomodar esses acessórios em uma caixa plástica lavável com uma etiqueta para identificar que se trata de material contaminado.

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6. Usar lixas descartáveis, tanto as de unhas como as para os calcanhares. Palitos de laranjeira e algodão devem ir para o lixo após cada atendimento.
7. Adotar uma toalhinha por vez. Se ela não for descartável, deve-se higienizá-la e lacrá-la em um pacote a ser aberto diante da cliente.
8. Manter todo o material, como algodão, acetona, esmaltes, etc., organizado em maletas ou gavetas.
9. Lavar bacias e cubas depois de cada procedimento. Elas devem ser forradas com plástico e este precisa ser descartado depois da utilização. Uma alternativa: substitua esses objetos por borrifadores.
10. Jogar em lixo apropriado todas as lixas, algodões e palitos utilizados. Esses itens não são recicláveis.

 

Texto: Cristiane Dantas (edição de web: Patricia Santos)
Fotos: Shutterstock e divulgação