Manual da primeira vez (na coloração)

Mudar a cor do cabelo sempre provoca uma certa ansiedade tanto para o profissional quanto para a cliente. Veja como passar por essa fase com mais segurança

13/04/2017 | Redação

É verdade que as mulheres estão cada vez mais curtindo mudar o tom dos fios para valorizar o corte, descolorir as pontas para iluminar o visual, radicalizar em nuances divertidas porque apostam na ousadia do penteado ou apenas render-se à boa e velha cor que apaga os brancos. Mas ainda existem aquelas que nunca tingiram o cabelo. E mesmo quando vencem a resistência dos virgens, chegam ao salão com uma lista de dúvidas, não convencidas de que a coloração (ou a descoloração) é um investimento que vale a pena.

É nessa hora que entra em cena um bom colorista. Um profissional mestre em cores sabe mostrar para a cliente quais tonalidades cairão bem para ela, como a química agirá na fibra capilar, quais cuidados serão precisos depois do processo e como devem ser feitos os retoques – informações preciosas que vão ajudá-la a entender e a querer a coloração. “Ele sabe que doses de bom senso e delicadeza são essenciais para não assustar quem colore pela primeira vez”, comenta Evilásio Souza, professor do Instituto L’Oréal (SP). “Respeitar sempre o desejo da pessoa, sugerir o que é capaz de cumprir e saber combinar o tom da pele com o do cabelo são algumas regras para conquistar a clientela”, continua o especialista que, certa vez, propôs fazer mechas na cabeleira de uma de suas clientes e, quando ela viu o resultado parcial do processo, ficou insegura e desistiu! Evilásio teve de recorrer a químicas que retomassem a cor original.

Para ajudar você a driblar a expectativa e as dúvidas da sua cliente e ser certeiro na coloração, preparamos quatro dicas tem-que-praticar. Abuse delas!

1 – ENTENDA O QUE A CLIENTE QUER

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É comum ela chegar ao salão com uma referência de cor para o cabelo. Mas antes de qualquer manejo dos pincéis, é essencial entender qual é o desejo dessa cliente (para depois não ouvir que não era bem esse o resultado que esperava!): ela até pode mostrar uma foto de um loiro platinado belíssimo, mas gostaria apenas de iluminar os fios com algumas mechas. Também considere se a tonalidade pedida cairá bem. “O cabeleireiro precisa analisar se a cor combina com o estilo e o tom de pele da mulher e ainda levar em conta se a coloração necessitará de retoques frequentes, com mais idas ao salão. Se concluir que não é recomendado, ele deve deixar isso claro”, diz o hairstylist Pedro Vicuña, do Werner Coiffeur (RJ). Um bom papo antes da química ajudará a mulher a tirar as dúvidas e ganhar segurança.

2 – PROPONHA MUDANÇAS SUTIS

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Cliente convencida a experimentar uma nova cor? Próximo passo: escolha a nuance ideal. “Normalmente, quem vai fazer sua primeira coloração prefere não arriscar e aposta em cores neutras e clássicas, como a cartela dos castanhos, com algum toque de luz”, lembra Evilásio Souza, do Instituto L’Oréal. Um bom caminho para indicar a melhor tonalidade é colocar em prática os mandamentos do visagismo. “Leve em conta o tom original do cabelo, o corte, a temperatura e a cor da pele e dos olhos e os pontos que precisam ser iluminados e disfarçados no rosto”, ensina o cabeleireiro Michel Vidal, especialista em loiros do Michel Vidal Studio (SP). Com esses dados, sugira uma nuance que vai realçar a beleza natural, mas que não mudará completamente seu visual. Deixe as muito intensas para quem gosta de chamar a atenção.

3 – DIGA NÃO SE FOR NECESSÁRIO

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Antes mesmo de preparar a tintura, avalie a saúde dos fios. “Se estiverem quebradiços e desidratados, a coloração deve ser deixada para depois”, avisa Pedro Vicuña, lembrando que as pessoas gostam de ouvir conselhos de seus cabeleireiros. Explique que as reações químicas provocadas pela coloração ou a descoloração nas fibras capilares podem comprometer ainda mais a saúde capilar. Oriente-a, primeiro, a recuperar as madeixas: sugira um corte para eliminar as pontas duplas e sessões de hidratação power quinzenais a serem feitas no salão; também indique alguns kits de restauração (com xampu, condicionador e creme sem enxágue) para o uso em casa. Depois de 30 a 45 dias de tratamento intensivo, remarque o procedimento. Aposte: o resultado será muito mais bonito e sua cliente terá certeza de que você é um profissional cuidadoso.

4 – ORIENTE SOBRE A MANUTENÇÃO

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Só de pensar que o cabelo pode ficar ressecado, sem vida e ainda desbotado, algumas clientes logo abortam a proposta da nova cor. Apesar de as colorações e as descolorações atualmente contarem com tecnologias que comprometem minimamente a saúde capilar, elas provocam, sim, mudanças na constituição da fibra. Para o beauty artist Brauliun Aguiar, do Jacques Janine Fashion Mall (RJ), a pessoa tem de saber que isso irá acontecer. “As químicas abrem a cutícula dos fios e podem provocar a perda de queratina, enxofre e colágeno”, alerta Evilásio Souza, da L’Oréal. Por isso, é importante indicar o uso de produtos específicos para cuidar dos coloridos e hidratações potentes que devem ser feitas a cada dez dias no salão. “Eles têm ingredientes que repõem a queratina e os lipídios perdidos e recuperam a maciez e o balanço do cabelo”, explica o expert. Com a manutenção adequada, a cor dura mais tempo, sem desbotar facilmente ou perder o brilho.

E por falar em primeira vez…

Se você estiver fazendo suas primeiras colorações e mechas, não tenha receio de ir com calma. Não é preciso provar que é expert e está antenado com as tendências da moda. Ou seja, o que importa para a cliente é saber que você tem os ensinamentos de colorimetria na ponta da língua, sabe aplicá-los e não criará cores com transparências ou nuances inesperadas. Mas para garantir o resultado certo, lembre-se da regra número 1: não é possível experimentar uma cor e trocá-la facilmente se não ficar bem. Caso isso aconteça, as chances de a pessoa criticar a sua inexperiência são grandes. Por isso, conquiste-a com sugestões que vão, certamente, deixá-la mais bonita. Outras dicas:

– Nunca se esqueça de avaliar se o cabelo já passou por relaxamento ou progressivas. Combinar químicas que alteram a estrutura capilar requer cuidado extra para não estragar o fio. Alguns processos têm componentes incompatíveis e é proibido misturá-los.

– “Use a altura do oxidante certa para o tom que deseja criar. Não abuse das altas volumagens esperando resultados melhores”, alerta o cabeleireiro Brauliun Aguiar, do Jacques Janine Fashion Mall (RJ). “Um oxidante de 40 volumes, por exemplo, só é indicado para alguns casos, pois é muito agressivo e pode detonar a fibra capilar.”

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– Lembre-se de que os tonalizantes não danificam tanto os fios e são mais recomendados para coberturas menores. Por exemplo, se a cliente quer apenas dar um basta nas mechas fininhas de cabelo branco, tonalize. “As colorações permanentes devem ser usadas quando os brancos já são visíveis e cobrem mais de 30% da cabeça”, diz Brauliun Aguiar.

Conversar nunca é demais. Pergunte para a cliente o que ela quer com a coloração, qual efeito gostaria com a nova cor e como ela pretende fazer a manutenção. Também conheça o estilo de vida dela. Não imponha nada: cheguem juntos a uma tonalidade que combinará mesmo com ela.

 

Texto: Ana Carolina Carvalho (edição de web: Patricia Santos)
Fotos: Shutterstock.