Nove passos para enfrentar e superar a crise em 2016

04/01/2016 | Patricia Santos

Tempos de crise são difíceis para todo mundo. Dos pequenos aos grandes negociantes, muitos estão vendo os clientes desaparecendo do salão e o faturamento despencando. “A crise afetou setores que nunca tinham sido atingidos antes”, afirma José Augusto Santos, presidente da Associação Brasileira dos Salões de Beleza (ABSB). Segundo ele, houve diminuição de 8% na procura de serviços e 18% na venda de produtos profissionais, piorando o cenário que já não era dos melhores desde o final do ano passado.

 

De quem é a culpa?
“Impostos e juros altos não são os únicos vilões do que estamos presenciando. A crise atual é reflexo da queda de 40% do faturamento dos salões ocorrida no período da Copa. Menos dias de trabalho, renda menor… Na mesma época, fornecedores fizeram campanhas dando prazos e descontos para garantir seu fluxo de caixa, já esperando o resultado negativo daqueles meses. Eles ficaram com o faturamento, e os cabeleireiros, com os pagamentos!”, explica Rui Mendes, da Negócios e Beleza. Segundo ele, assim que o IPI (Imposto Sobre Produtos Industrializados) entrou em vigor, em maio deste ano, novamente foram oferecidos descontos e prazos alongados. “Nessa prática, chamada transferência de estoque, os distribuidores livram-se do imposto e repassam aos profissionais as duplicatas a pagar!”, esclarece.

Então, vamos às dicas:

1. Rotas de fuga

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No lugar de apontar responsáveis, a ideia é mostrar os caminhos para sair dessa enrascada. “Ninguém permanecerá ileso, é verdade, mas com certeza sairá mais fortalecido”, afirma Rui Mendes. A orientação inicial é esquecer aquele famoso discurso: “As pessoas não deixam a vaidade de lado em épocas ruins”. “A crise não está só nos afetando. Tenho clientes que perderam seus empregos e outros que tiveram redução do orçamento familiar”, confirma Teka Bárbara, do Teka Instituto de Beleza, de Belo Horizonte. Sônia Nesi, do Rio de Janeiro, aumenta a lista de profissionais e empresários insatisfeitos. “Realmente, está difícil sustentar um salão. Muitos fecharam as portas no Rio de Janeiro”, acrescenta ela.

2. Mude o foco

 


Apesar de um panorama nada agradável, precisamos tirar os holofotes da crise. “Não podemos ficar olhando apenas para as dificuldades, reclamando, e sim buscar soluções e ter muita fé. Assim, passaremos sobre esse furacão sem sermos destruídos”, avalia Teka Bárbara.

3. Trate de economizar
Outro passo é analisar as contas e enxugar os gastos.“Precisamos rever as despesas, economizar tudo o que puder ser economizado”, ensina Marcia Maria, presidente da Haute Coiffure Française Brasil. Sônia Nesi, por exemplo, cortou as viagens. “Quando são inevitáveis, deixo o cartão de crédito em casa!”, conta.

4. Faça a diferença

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“Se tirarmos o ‘S’ da palavra crise, teremos ‘crie’”, brinca Sônia Nesi, que começou a fazer promoções nos dias de menor movimento. “Os descontos variam de 10% a 30% em todos os serviços”, afirma ela. “Além de ofertas nos períodos tranquilos, incentivamos o uso do cartão fidelidade e, assim, aumentamos o movimento em 35%!”, comemora Diego Bizacha, do Meu Momento Cabelo e Estética, de São Paulo. “Mantivemos os mesmos preços, mas promovemos combos e pacotes”, comenta a empresária mineira Teka Barbara. “Toda ação bem pensada e executada pode ser benéfica para o negócio. Mas saiba que, sem margem de lucro, será um tiro no pé!”, alerta Marcia Maria.

5. Encante os clientes
Se a clientela estiver feliz com seus serviços, não irá abandonar o salão. “A crise sempre existiu, com altos e baixos, e daqui a pouco irá diminuir. As pessoas não deixam de cortar ou arrumar o cabelo, elas irão onde são bem atendidas e recebidas com algum diferencial”, alerta Willian Lin, do Instituto i9c. Carlos Passos, da UpGrade Consultoria Especializada, diz, ainda, que “um aumento de apenas 5% na retenção da clientela pode aumentar o lucro entre 25% e 85%” (Harvard Business Review). “Não basta ser um profissional top, é preciso tratar o outro como gostaria de ser tratado. Ter excelência no atendimento e investir na prestação de serviço — desde o manobrista e a recepção, pois os maus atendimentos costumam ser relacionados ao seu nome! Treinar e investir nos funcionários também traz qualidade e todos saem ganhando”, continua o especialista do Instituto i9c.

6. Atualize o cadastro
“A cada cliente que entra e sai do salão de beleza, forneça uma pesquisa de satisfação, incluindo desejos de serviços e e-mail para futuros contatos”, ensina Carlos Passos, da UpGrade. Com esses dados, é possível criar ou atualizar um registro já existente para: avisar sobre novos looks de cabelo; falar das promoções especiais; convidar para um chá da tarde com direito a desconto nos cortes; apresentar produtos ou palestras de cuidados faciais ou corporais, etc. “Dentre os funcionários existem especialistas que se sentirão motivados em desenvolver atividades”, ensina Passos.

7. Valorizar é preciso!

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Quem vai lhe dar valor se você mesmo não o fizer? Esse foi um dos motivos pelo qual Diego Bizacha abraçou o Movimento Compre do Pequeno, idealizado pelo Sebrae. “Precisamos valorizar o pequeno negócio, o empreendimento do bairro que muitas vezes é visto como despreparado e de baixa qualidade. Os pequenos comerciantes devem se prestigiar e se aprimorar mais, mantendo um bom nível e, com toda sua força, disputando espaços iguais”, aposta.

8. A promoção certa

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Para que os descontos não tragam prejuízos, siga as dicas do site Carreira Beauty:
– Marque data para começar e acabar, pois promoções devem ter prazo.
– Nada de transformar o preço promocional no valor do seu trabalho!
– Não faça ofertas que não cubram seu custo líquido. Por exemplo: se costuma cobrar R$ 20 por serviço de manicure e, desse valor, tem um custo líquido de R$ 13 (gastos com material, aluguel, etc), seu lucro é de R$ 7. Se atender dez clientes, irá lucrar R$ 70. Já se der desconto de 50% (cobrar unhas a R$ 10), ficará com prejuízo de R$ 3 por atendimento. Faça sempre as contas!

9. Para ler e aprender

9-dicas-anticrise-livros- O Jeito Disney de Encantar os Clientes, de Disney Institute (Editora Saraiva).
Detalha as práticas inovadoras que se tornaram referência para quem busca a satisfação de sua clientela.
- Finanças para Empreendedores e Profissionais não Financeiros, de Rafael Paschoarelli e Gustavo Cerbasi (Editora Saraiva). Para aproveitamento de profissionais de qualquer área, traz conhecimentos financeiros necessários para o bom desempenho dos negócios.