Produtos essenciais: como formar um estoque eficiente

31/01/2017 | Patricia Santos

Os cosméticos são insumos essenciais para a prestação de serviço do setor. Traduzindo: sem xampu, tintura, esmalte e afins não há salão de beleza. Existem centenas de marcas, para todos os gostos e bolsos. Mas esqueça as de fundo de quintal! É fundamental que todos os produtos utilizados estejam de acordo com as legislações vigentes. “O Ministério da Saúde e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) são os principais órgãos reguladores desse tipo de cosmético”, informa Sandra Regina Bruno Fiorentini, Consultora Jurídica do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) de São Paulo.

A advogada do Sebrae orienta: você deve procurar o número de registro no Ministério da Saúde/Anvisa no rótulo da embalagem para ter certeza de que se trata de uma mercadoria regularizada. E também as seguintes informações: nome, marca, lote, prazo de validade, conteúdo, país de origem, fabricante/importador, composição e finalidade de uso. A Anvisa classifica os cosméticos de higiene pessoal em Grau 1 e Grau 2. Os critérios para essa divisão são definidos em função da probabilidade de ocorrência de efeitos não desejados – os de Grau 2 são mais sujeitos a ocasionarem problemas (veja quadros “Cosméticos de Grau 1” e “Cosméticos de Grau 2”). A maior parte dos produtos usados no salão pertence ao Grau 2 – mais um motivo para que fique 100% atento.

VAMOS ÀS COMPRAS

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Coloração, xampu, condicionador, cremes para tratamento, finalizadores… A lista é longa e nada pode faltar, sob a pena de você perder clientes. Por outro lado, o pequeno empreendedor que acabou de montar o seu negócio, na maioria das vezes, tem pouco capital para investir em produtos. Na teoria, a equação é simples: lucro = receita – despesas (o que inclui, claro, a compra dos cosméticos). Na prática, porém, o dinheiro pode ir embora sem você nem perceber. É necessário muito planejamento para garantir que você tenha ganho no fim do mês (pois é com esse montante que você vai pagar as despesas da sua casa, o aluguel, o financiamento do carro, a escola do filho…). Mas por onde começar? “Definir o perfil do seu público é o primeiro passo”, orienta Carlos Oristânio, consultor e professor em gestão empresarial, especializado em salões de beleza. “Não adianta querer usar uma marca premium se a clientela não tem condições de pagar por ela. Você terá prejuízo, pois não será possível repassar o custo ao cliente”, alerta Carlos, que também é coordenador do curso Visagismo e Estética Capilar da Universidade Cruzeiro do Sul, em São Paulo.

Ok, você sabe que não vai dar para adquirir os produtos mais caros, mas quais seriam similares a eles? Pesquise, se informe, participe de treinamentos nos centros técnicos das empresas e nos atacadistas, dá para fazer vários, fique atento à programação. Seu salão, ainda que pequeno, está em um bairro nobre e seu público exige e pode pagar mais por grifes top? Tudo bem, sua margem de lucro está garantida. Existem muitas marcas e, melhor ainda: a qualidade vem crescendo bastante nos últimos anos. “Escolha duas ou três grifes que atendam sua clientela em termos de qualidade – que é inegociável – e preço”, aconselha o consultor, que acrescenta: “Conheça bem os produtos, participe dos treinamentos técnicos, adquira linhas completas. Seja parceiro das empresas para, na hora da compra, conseguir um desconto maior, uma dilatação no prazo de pagamento ou até um treinamento mais específico”. Por outro lado, se trabalhar com 15 firmas e comprar alguns itens de cada, não terá fôlego para negociar preço.

ESTOQUE ECONÔMICO

Se a estocagem é o calcanhar de aquiles dos salões médios e grandes, imagine então dos menores. “Na maioria das vezes, o pequeno empreendedor que está começando o negócio não tem fôlego financeiro para trabalhar com provisão imobilizada”, afirma o especialista em gestão empresarial. Para ele, o salão pequeno é aquele que tem até dez profissionais, incluindo cabeleireiros, manicures, recepcionistas e funcionários de limpeza. “Para empreendimentos desse porte, recomendo que o depósito seja pequeno, o suficiente para uma semana, duas semanas de atendimento”, diz.

Já os estabelecimentos médios operam com, no mínimo, seis unidades de cada item. O fato de a maioria dos serviços ser feita com hora marcada facilita o planejamento. Você pode se preparar porque sabe quais clientes atenderá na semana seguinte. Isso é ainda mais importante para os produtos que saem menos. “Se, por exemplo, apenas uma pessoa usa determinada tintura, você adquire uma unidade para atendê-la. Se comprar seis e essa mulher, por algum motivo, não vier mais ao salão, perderá dinheiro”, diz o especialista. Cuidado para não confundir os interesses. “Jamais compre mais do que o necessário porque o vendedor é simpático. A indústria produz e quer vender. O distribuidor precisa ter lucro para pagar a suas contas”, lembra Carlos. Ele afirma que é um erro gastar recursos em estoque quando sua conta está negativa ou o cartão de crédito no rotativo. “Nesses casos, um desconto de 5% vale a pena?”, pergunta.

Cosméticos de Grau 1

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De acordo com o Guia de Boas Práticas – Salão de Beleza, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e do Sebrae, a formulação destes produtos cumpre com a definição adotada na Resolução Anvisa – RDC nº 211, de 14 de julho de 2005. Não requerem informações detalhadas quanto ao seu modo de usar e restrições de uso, devido às características intrínsecas deles. Alguns exemplos:

Cosméticos de Grau 2

A formulação destes produtos cumpre, segundo o Guia de Boas Práticas – Salão de Beleza, definição adotada pela mesma Resolução Anvisa – RDC nº 211. Mas diferente dos primeiros, possuem indicações específicas, pois exigem comprovação de segurança e/ou eficácia, e informações e cuidados, modo e restrições de uso.

Dicas para estoque em salão pequeno

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Texto: Olga Penteado (edição de web: Patricia Santos)
Fotos: Shutterstock.