Profissionais de beleza praticam a solidariedade

A história dos beauty artists que abrem espaço na agenda para atuar em ações sociais. Inspire-se!

02/06/2017 | Redação

O cotidiano agitado não é empecilho para alguns cabeleireiros e maquiadores que doam seu tempo em prol do outro. Seja pelo envolvimento em programas que levam beleza e autoestima a quem não tem acesso, seja promovendo educação para jovens em início de carreira ou, ainda, realizando um trabalho voluntário junto às comunidades mais carentes, o engajamento em ações sociais engrandece, aprimora habilidades pessoais e profissionais e contribui para uma sociedade mais justa e humana. Quer seguir por esse caminho também? Inspire-se com as histórias desses quatro superprofissionais e seres humanos incríveis!

Sopa para os sem-teto

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O grupo Anjos da Sopa tem 55 voluntários, entre eles Sylvio Rezende, hairstylist do Tony by Sylvio Rezende. O projeto existe há 21 anos e ele faz parte da equipe há sete meses, atuando às quartas-feiras. ”Os voluntários que preparam a sopa iniciam os trabalhos às 6h30. Eu chego à sede, no bairro do Cambuci, em São Paulo, às 18h30 e saímos para fazer a distribuição. Ficamos até as 22h30. Nesse período, entregamos cerca de 650 potes de comida de 500 ml cada, além de outros alimentos, água e produtos de higiene pessoal”, explica. De acordo com ele, a melhor consequência desse trabalho é o relacionamento com as pessoas e isso interfere, inclusive, no dia a dia profissional dele. “No início da minha carreira, desde que cheguei a São Paulo, já me envolvi num trabalho voluntário com crianças, depois ajudei um lar de idosos, em seguida, um abrigo espírita para senhores. Hoje, atuo em prol de moradores de rua. Estou amando e não quero parar nunca mais!”, afirma. Tudo começou com o incômodo que ele sentia vendo as pessoas nas ruas. “Eu, em casa, tenho tudo – uma cama, um chuveiro quentinho para tomar banho. Eles não. Isso me tocava profundamente. E creio que deva tocar a todos. Além de comida, conversamos e damos afeto a quem precisa. Confesso que não é fácil conciliar essa ação com a minha rotina corrida. Mas sempre arrumamos um tempo para o que desejamos, não é verdade? Então, por que não nos programarmos para fazer o bem? Eu garanto: vocês ficarão mais calmos, humanos, sensíveis. Nós temos de fazer algo e parar de só reclamar dos governos. Nós também somos responsáveis pelas desigualdades sociais”, pontua.

Automaquiagem para deficientes visuais

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O projeto levado à frente por Chloe Gaya, maquiadora e consultora do Jacques Janine, visa ajudar deficientes visuais a se sentirem mais bonitas e independentes, em parceria com a Laramara (Associação Brasileira de Assistência à Pessoa com Deficiência Visual). “Estudei e coloquei em prática várias técnicas direcionadas a essas mulheres. A mais importante delas diz respeito ao uso do toque das mãos nas regiões envolvidas na maquiagem. Foi muito importante para mim, porque eu nunca tinha tido contato com pessoas com tal deficiência – teoricamente, faço um trabalho extremamente visual. Isso me fez crescer profissionalmente e, claro, como ser humano”, conta a expert entusiasmada. Para conseguir transmitir seus ensinamentos, Chlóe adaptou alguns passos do serviço. Ela sempre começa a aula ensinando a maquiar os olhos antes de aplicar a base para evitar que o produto suje a pele já maquiada. “Mesmo assim, oriento as alunas a sempre limparem com lenço demaquiante as pálpebras inferiores para eliminar qualquer resíduo. Na hora de passar a sombra com o pincel, coloco a mão delas sobre a minha para que sintam a pressão e o movimento necessário. Quando repetem, normalmente, usam a mão direita para segurar o pincel e a esquerda para acompanhar o movimento. É um gesto comum entre os cegos o uso das duas mãos para sentir tudo o que tocam”, relata. Outro truque usado pelas alunas é contar o número de passadas do pincel em cada área da pálpebra. “Uma grata surpresa foi ver que todas as alunas queriam usar batons com tons fortes e não um nude discreto. Para aplicar, elas usam uma mão para espalhar enquanto deixam um dedo no contorno para saber qual é o limite da boca”, explica. Para Chloé, que já formou duas turmas este ano (com 21 mulheres beneficiadas) e já tem as próximas agendadas para o ano que vem, o segredo é se programar para realizar ações sociais. “É altamente motivador o poder de fazer o bem e conseguir multiplicar essa ação. E o que me seduz, também, é dar sequência à filosofia da marca Jacques Janine, que tem na essência tornar a beleza acessível a quem precisa”.

Audioaula de make

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A makeup artist e embaixadora da Maybelline NY no Brasil, Juliana Rakoza, ajudou a desenvolver o Áudio MakeUp, primeiro curso de automaquiagem com aulas narradas especialmente para mulheres com deficiência visual. Juliana mergulhou fundo nesse universo, se colocando no lugar de quem não enxerga. Ela potencializou todos os seus sentidos e fez uma espécie de laborátorio no escuro para entender de perto as necessidades dessas pessoas e, assim, elaborar o melhor conteúdo. “Fiquei muito animada para participar, porque minha avó é cega. A proposta foi muito desafiadora: como eu poderia ensinar em vídeo para quem não enxerga? Eu me preparei mergulhando no universo de quem tem esse tipo de problema, por exemplo, me maquiando com os olhos fechados e compartilhando a vivência com minha avó”, conta Ju. E foi assim: ela doou toda a sua expertise em beauté para que, aliada a uma pesquisa intensa com youtubers deficientes, o curso oferecesse o melhor conteúdo possível. A iniciativa ainda contou com parceria da Associação de Deficientes Visuais Amigos (Adeva). “Eu sempre tive como objetivo pessoal e profissional ter uma carreira consolidada para ocupar parte do tempo da minha agenda com causas sociais. Mas nunca é fácil. Tem de ser persistente e obstinada. Mas quando se experimenta, o sentimento é incrível. Por isso, faça! Se esperar estar livre, nunca fará”, defende. O curso, com acesso totalmente gratuito, está disponível no site oficial www.audiomakeup.com.br, com layout especialmente elaborado para pessoas que apresentam qualquer grau de deficiência visual, e também em outras plataformas, como podcasts (iTunes e GooglePlay) e SoundCloud. São dez módulos abordando desde dicas de como preparar a pele até como aplicar corretamente o batom, explicando o que é e como usar.

Convidados especiais

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Trazer vários profissionais de todos os cantos do País para passar um tempo com ele, aprendendo, vivenciando o dia a dia de um grande salão. Esse é o sonho de Marcos Proença, do Marcos Proença Cabeleireiros, que recebeu, até agora, dois profissionais: Cleves, que veio da Bahia, e Bombom, do Rio de Janeiro. Ambos com histórias emocionantes. Cleves Peixoto entrou em contato com Proença via direct message, no Instagram, dizendo que tinha comprado uma imagem de Nossa Senhora e gostaria de presenteá-lo. Proença, supercatólico, ficou muito tocado com a atitude. Eles conversaram um pouco e, após descobrir a história de Cleves, decidiu bancar do próprio bolso a vinda dele para São Paulo. Durante uma semana, Cleves pôde trocar experiências com os experts e atender clientes estreladas. Já com Ana Carla Pimenta, mais conhecida por Bombom do Realengo, Proença teve contato por meio do programa Caldeirão do Huck, da Globo. O hairstylist foi convidado a participar de um quadro da marca Eudora, que consistia em reformar o salão de alguém. A função dele era dar uma consultoria para a proprietária, porém, o contato com a cabeleireira foi tão bacana, que ele decidiu, também por conta própria, trazê-la a São Paulo para ter uma experiência no Marcos Proença Cabeleireiros. Durante dois dias, ela pôde aprender novas técnicas, entender a gestão e o funcionamento de um espaço de beleza e conhecer algumas das clientes especiais, como Mariana Weickert, Julia Faria e Nathalia Dill. “Além de conseguir alcançar os nossos sonhos, trabalhar em prol do outro nos enriquece. Aprendo com os profissionais, pois cada um tem um jeito diferente de fazer as coisas, e trocamos muita energia positiva. Amaria fazer em grande escala, com um número maior de pessoas. Esse, inclusive, é um projeto que tenho para médio prazo. Se todo mundo fizer um pouquinho, o mundo ficará melhor, com menos desigualdade e mais amor”, conclui.