Conheça os tipos de cachos e aprenda a lidar com as diferenças

Crespos e cacheados seguem em alta e ganham força da tecnologia cosmética para garantir ondas perfeitas

09/10/2017 | Redação

Depois da consagração dos lisos e dos bem alinhados, todos os tipos de cachos voltam à cena com força total. Não que o reino de chapinhas e alisamentos tenha ruído. Mas, finalmente, os fios encontram a liberdade, deixando de ser reféns de um único modelo. As brasileiras estão dizendo “sim” ao volume e a ondulação.

Uma prova disso é o estudo conduzido pelo programa Google BrandLab. Os pesquisadores constataram que, pela primeira vez no Brasil, as buscas por cabelo cacheado superaram as por lisos. No último ano, o interesse pela textura encaracolada aumentou em 232%. Já as buscas pelos afros cresceram em 309% nos últimos dois anos. “As clientes com todos os tipos de cachos não têm o hábito de ir ao salão com tanta frequência. Mas gostam de sua cabeleira e fazem muito sucesso. Os fios anelados conferem muita sensualidade e chamam a atenção pela personalidade”, comenta Robson Trindade, do Red Team (SP).

E, muitas famosas, como a ex-primeira dama dos Estados Unidos Michelle Obama e a cantora Rihanna já soltaram os cachos. Por aqui, atrizes como Taís Araújo, Leandra Leal, Sheron Menezes e Maria Fernanda Cândido ostentam madeixas mais cobiçadas. Editoriais de moda e beleza estão repletos de cacheadas e a indústria de cosméticos tem apostando forte nos cuidados. Tudo para garantir beleza, saúde e melhor definição para todos os tipos de cachos.

Esta liberdade é resultado de alguns fatores. Um deles é a popularização do discurso de empoderamento feminino e engajamento na luta pela afirmação da própria identidade. Além do desejo de se livrar da imposição de um estilo e de uma rotina mais prática.

COMPOSIÇÃO DOS CACHOS

Embora tenham a mesma estrutura que os lisos, os fios anelados possuem algumas particularidades. A cutícula (camada mais externa da fibra) funciona um escudo que protege contra as agressões diárias. As películas (ou escamas) sobrepostas são mais abertas do que nos lisos. Esta desestruturação acontece porque as curvas dificultam o ajuste delas.

O cabelo crespo é realmente mais frágil, quebra com facilidade e tem baixo nível de umidade. “Quanto mais espiralada a haste, maior a dificuldade de distribuição da oleosidade natural do couro cabeludo ao longo dos fios. Portanto, sua aparência é mais ressecada. Além disso, os folículos pilosos são assimétricos e com formato oval. Essa configuração resulta numa fibra achatada e irregular, o que significa menor resistência ao estiramento, maior risco de ruptura e comprometimento da reflexão da luz. Ou seja, os fios tendem à opacidade”, explica a dermatologista Ariane Paula Souza, professora da Unifran (Universidade de Franca – SP).

“A boa notícia é que as cacheadas podem se divertir bastante com seu cabelo.  Graças às tecnologias empregadas em cosméticos específicos para elas, é possível contar com uma verdadeira força-tarefa de ativos. Estes trabalham para compensar a fragilidade e pouca hidratação e ressaltar a beleza sinuosa dos fios.

 

TIPOS DE CACHOS

Com cachos mais abertos ou mais fechados, os fios anelados costumam ser divididos em quatro tipos de cachos: ondulados, cacheados, crespos e muito crespos. No entanto, estas divisões ganharam classificações mais detalhadas, o que possibilita um tratamento personalizado.

Um gráfico muito aplicado para analisar estes fios foi criado pelo cabeleireiro americano Andre Walker, responsável pelas madeixas da apresentadora Oprah Winfrey. Ele classificou a fibra pelo tipo de curvatura, na seguinte escala: 1 (liso), 2 (ondulado), 3 (cacheado) e 4 (crespo). Nestas, há subclasses – de A a C para tipo 1 e 2 e A e B para tipos 3 e 4 –, baseadas no diâmetro dos cachos. Seu método gerou adaptações, como, por exemplo, na tabela divulgada pelo site Naturally Curly. O site excluiu o tipo 1 e acrescentou mais uma categoria (C) para os tipos 3 e 4. Assim, temos:

 

Nível 1 – LISOS

A fibra é reta e nasce de um folículo arredondado, o que permite que ela cresça com espessura e forma regular.  Dividem-se em:

1 A: fios finos, praticamente sem volume e com tendência à oleosidade. Não responde bem a penteados.

1 B: com espessura média, pouco volume e não são muito fáceis para penteados. Mas, já permite uma leve modelagem.

1 C: são os grossos e com peso das orientais. Aqui, os penteados já são bem-vindos e mais fáceis de fixar.

 

Nível 2-  ONDULADOS

A raiz é lisa, mas o comprimento (a partir da altura da orelha) apresenta um formato sinuoso, como um “S”. Dividem-se em:

2 A: o comprimento é levemente ondulado, com pouco volume e é fácil de ser modelado.

2B: as ondas são mais definidas, mas com uma certa tendência ao frizz. Também permite boa finalização

2C: o volume aumenta e as ondas são definidas, com curvatura mais fechada. O frizz já é mais presente.

 

Nível 3 – CACHEADOS

Aqui, os cachos são bem definidos e vão de mais soltos aos clássicos “de anjo”. Próximo à raiz, já existe uma ondulação. Ficam bem definidos quando modelados. Dividem-se em:

3 A: são grandes e abertos, com uma curvatura que remete bastante à sensualidade.

3 B: são médios, mais fechados em comparação ao 3 A. Com curvatura mais definida, a oleosidade encontra maior dificuldade para percorrer a fibra que já é mais sujeita ao ressecamento. Assim, o frizz aumenta.

3C: são ainda mais apertadinhos e armam e embaraçam com facilidade. O ressecamento e a fragilidade da fibra são mais evidentes.

 

Nível 4 – CRESPOS E AFROS 

As espirais são bem menores, deixando o fio curto e ressecado. Também são mais ásperos e frágeis. É naturalmente armado. Dividem-se em:

4 A: bem apertados, como se fossem molinhas. O formato de “S” só aparece quando a mecha é esticada.

4 B: também são bem apertadinhos, mas, quando a mecha é esticada, o formato é parecido com um “Z”. É bem ressecado e tem o comprimento bastante encolhido.

4 C: não são definidos, tem bastante volume e os fios crescem para cima. Também é bastante ressecado e tem o comprimento bem encolhido.

 

Vale dizer que a experiência e análise particular feita por alguns profissionais também permitem que eles criem protocolos de tratamento que atendam de forma certeira suas clientes. Eles consideram, além da textura do fio, couro cabeludo, que pode ser seco, oleoso, normal ou a combinação destas situações. Também levam em conta possíveis alterações nesta área, o que pode afetar o formato do folículo piloso. E, fatores como a mistura de raças também levam a fibras que apresentam características de mais de uma classificação. Isto é o que defende Robson Trindade. O profissional catalogou cerca de 8 mil mechas de cabelo de clientes para análise e estudo de um atendimento personalizado.

 

Texto: Françoise Gregório (CABELOS&CIA BC)

Fotos: Shutterstock