Use o planejamento a seu favor e turbine seu futuro profissional

10/02/2016 | Patricia Santos

Planejamento. Não pense que essa palavra só diz respeito a profissionais que executam tarefas burocráticas. Ela deve fazer parte do vocabulário de todo hairstylist e assim mudar de vez (e para melhor) sua vida profissional!

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Cabeleireiros são pessoas criativas e não têm de se preocupar com tarefas burocráticas, como fazer planejamentos ou estabelecer metas. Você pensa dessa forma? Então está na hora de rever seus conceitos. Muitos hairstylists acham que, por não possuírem negócio próprio, podem se dar o luxo de lidar apenas com o aspecto lúdico de seu segmento e se dedicar somente à elaboração de cortes, colorações e penteados. No entanto, aquele que não se programa não sai do lugar e corre o sério risco de ficar para trás. “É necessário ter foco e saber onde se quer chegar. E isso de forma alguma impede que o profissional mantenha sua veia artística. Pelo contrário: vai possibilitar a ele viver bem, viajar para se inspirar, fazer cursos diferenciados e ter paz interior para criar lindos trabalhos”, declara Rosangela Barchetta, do Studio W. A rede oferece aulas de gestão financeira aos parceiros interessados e aborda o tema em workshops e palestras realizados em sua academia instalada na capital paulista.

PLANO DE METAS

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O que você tem feito para atingir seus propósitos? Quais são eles? Escreva em um caderno aquilo que pretende realizar e em quanto tempo. Aproveite para se fazer algumas perguntas, como: “Onde estarei daqui a cinco anos?”, “Em quais cursos vou investir?”, “Quanto quero faturar?”, “Quantas clientes vou atender por mês e quantas devo captar?”. De acordo com Marcia Maria, dona do salão Marcia Maria Beauty&Co, em São Paulo, é preciso tornar claros os próprios objetivos e evitar delírios: “Estou sempre disposta a conversar com quem me pede ajuda. Se o sonho da pessoa for surreal, eu a oriento para que ela não acabe frustrada. Esse é um dos meus papéis como gestora”. Rosangela Barchetta acrescenta: “Os parceiros e os funcionários que atuam na nossa rede têm acesso a relatórios de performance para que possam analisar seu crescimento, planejar estratégias, rever procedimentos e alterar processos”. Para a empresária, profissionais completos têm maior chance de serem bem-sucedidos em suas carreiras do que aqueles que se consideram um talento nato e intuitivo e contam com a sorte: “Na realidade, muitos acreditam que basta ter habilidade e fazer marketing pessoal, mas atingir o sucesso exige mais requisitos”, conclui.

QUER GANHAR QUANTO?

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Profissionais de beleza atuam como parceiros nos salões. “Eles abrem firma e têm microempresas que atuam dentro de estabelecimentos maiores. Logo, devem pensar em como irão gerenciar o negócio”, afirma Tatiana Medeiros, diretora comercial da Moveduc. Assim, cabeleireiros têm autonomia para controlar sua agenda. Eles decidem seus horários, quando irão trabalhar e o número de atendimentos feitos em uma jornada. O esquema flexível é ótimo em uma profissão em que ganha pontos quem se aperfeiçoa, roda o mundo em busca de tendências ou participa de desfiles e eventos. Mas essa liberdade tem de ser bem utilizada. “O hairstylist paga pelos cosméticos que aplica, contribui para o funcionamento do salão e muitas vezes contrata seus assistentes. Ele deve saber quanto dinheiro entra e o que sai. Às vezes, o profissional não liga para isso, mas precisa se informar e planejar”, sentencia Tatiana. De acordo com a expert, vale identificar os procedimentos mais rentáveis e oferecê-los ao público, bem como captar novas clientes. Ela também indica a elaboração de protocolos diferenciados e a venda de produtos com o intuito de incrementar os rendimentos: “Você pode ter ideias, criar coisas. A proatividade gera uma energia importante dentro da estrutura do estabelecimento”, conclui. Márcia Maria sugere estabelecer uma meta de ganho líquido mensal, dobrar essa quantia prevendo os descontos futuros e dividir pelo número de dias trabalhados. Dessa forma, obtém-se o valor diário necessário para chegar ao faturamento pretendido. Já Rosangela Barchetta conta que no Studio W as pesquisas de satisfação feitas com a clientela e os relatórios de produtividade ajudam os profissionais a traçar suas estratégias.

ATITUDE VENCEDORA

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Não basta apenas desenhar metas de faturamento para chegar lá. Agir da maneira adequada é fundamental. E aí entram diversos fatores: estar motivado, receber bem a cliente, ter uma visão positiva sobre o trabalho. “Um curso básico de coaching pode abrir horizontes”, diz Tatiana Medeiros. Ela também acredita que é importante se fazer algumas perguntas intimamente e respondê-las com toda sinceridade: “O cabeleireiro deve se questionar se sua técnica não está defasada, por exemplo. Ou se é necessário modificar seu atendimento. Trocar ideias com outros hairstylists também ajuda”, conclui. Na opinião de Rosângela Barchetta, ficou para trás aquele comportamento vaidoso de antigamente, em que o coiffeur se via como um artista e fazia o que lhe conviesse, inclusive cair na zona de conforto. Para ela, o hairstylist bem-sucedido não é somente talentoso, mas também possui inteligência para lidar consigo mesmo e com quem habita ao seu redor. Em sua rede, os parceiros e funcionários são instigados a se submeter a sessões de coaching e, ainda, a participar de cursos sobre história da moda, universo da beleza e comportamento. “O profissional da área tem uma grande oportunidade de evoluir na carreira, pois o mercado continua crescendo e as pessoas estão cada vez mais focadas em dedicar seu tempo a prazeres como os cuidados pessoais. Essa é uma profissão tão linda, que realmente faz diferença para aqueles que usufruem dos serviços”, finaliza a empresária.

Texto: Cristiane Dantas (edição de web: Patricia Santos)
Fotos: Shutterstock