Vanessa Rozan fala sobre dificuldades da profissão, sonhos e YouTube

03/03/2017 | Camila Miranda

Reconhecida por onde passa, Vanessa Rozan é uma das beauty artists mais famosas do País. Mas se engana quem pensa que sua trajetória foi fácil. Formada em Comunicação Social, Vanessa já trabalhou em agência de publicidade, varejo de moda e com máquinas agrícolas até entrar no universo da beleza e fazer de seu hobby um grande negócio.

A seguir, uma entrevista exclusiva, e inspiradora, com a maquiadora. Confira!

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Cabelos&cia: Quando você decidiu ser maquiadora?
Vanessa Rozan: Nunca decidi. A vida foi me encaminhando para essa profissão, eu fui me encantando por ela, e quando me dei conta, já estava completamente maquiadora (risos). Sou formada em Comunicação Social pela ESPM de São Paulo e trabalhei em uma agência de publicidade, antes disso já entreguei panfleto na rua, trabalhei em varejo de moda e também com máquinas agrícolas. Nunca soube muito bem o que queria ser na época da faculdade pois era como se aquilo que eu queria ser não tivesse sido inventado ainda, na época. Cansada de trabalhar em agência e infeliz com a minha opção profissional, busquei um curso de fotografia no Senac. Eu sempre me interessei pela área, desde sua parte técnica de revelação em estúdio, até a poesia da luz incidindo sobre cada coisa e seu registro na câmera. Para minha sorte, o curso era longe demais para o tempo que eu poderia investir e optei por um curso técnico de cabelo, que foi seguido por outro de maquiagem.

E a partir daí?
Ao sair do Senac formada e “freelando” para o meu professor Beto França, um artista que foi como um guru para mim,  fui indicada para trabalhar na primeira loja da M.A.C, no Brasil. Lá, passei a treinadora da marca e maquiadora sênior, participando das Semanas de Moda mais importantes do mundo e trabalhando com maquiadores renomados no Brasil e fora daqui. Depois de seis anos como porta-voz da marca e já apresentando o Esquadrão da Moda, no SBT, abri a escola e salão de beleza Liceu de Maquiagem, que forma profissionais e amadores desde 2009.

Onde você estudou?
Sou formada em Artes Plásticas pela Escola Pan-americana de Artes. Recomendo sempre que todo aluno ou profissional da beleza curse Artes Plásticas. Cursei a pós-graduação na PUC SP em Semiótica Psicanalítica e estou finalizando meu mestrado também na PUC em Comunicação e Semiótica. Acredito que não se pode parar de estudar, desde coisas mais simples como técnicas, novidades, tendências até se aprofundar em questões do universo da beleza e moda.

Como surgiu o convite para o programa Esquadrão da Moda? Você já tinha planos de trabalhar na TV?
Foi uma surpresa e até chegar no SBT para a entrevista eu achei que era mentira (risos). Eu gosto muito da equipe do Esquadrão. Câmeras, produção, áudio, direção, colegas apresentadores, são pessoas muito especiais para mim. É uma honra poder dividir minhas quartas-feiras com eles e uma honra maior ainda poder mostrar algo do que aprendi nesses anos em rede nacional, ter alguns minutos para discutir a beleza e o jeito que podemos vê-la e ajudar a mudar a visão que uma pessoa tem de si mesmo.

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Qual foi a sensação quando você gravou o primeiro episódio do programa?
Estranha. Era como se aquilo ficasse apenas dentro do estúdio, eu não tinha noção do alcance do SBT e nunca imaginaria que ficaríamos mais de seis anos no ar!

E sobre ser maquiadora… qual é a maior dificuldade da área?
Antes de mais nada ser mulher. Eu já entrei em estúdio de fotografia com um parceiro cabeleireiro e a jornalista foi direto explicar para ele como seria a beleza. Também acontecia muito com cliente que entrava na loja, no começo da M.A.C no Brasil. Elas entravam e diziam que queriam ser atendidas pelo “maquiador”, sempre apontando para algum rapaz da loja. Isso mudou muito nesses 15 anos de profissão. Hoje vejo muitas mulheres nas classes do nosso curso de Formação no Liceu de Maquiagem. A segunda maior dificuldade que enfrentei foi assumir que não sou cabeleireira. O mercado te força a fazer as duas coisas, sendo que lá fora quem exerce as duas profissões chega até a ser mal visto. É preciso se aprofundar naquilo que você escolhe. Cabelo é engenharia e maquiagem é decoração, são bases muito diferentes para se trabalhar.

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Como e quando você conheceu a Fabi Gomes?
Trabalhávamos na mesma empresa e crescemos juntas na profissão.

A ideia de começar o canal no YouTube foi dela ou sua?
Sempre nos perguntavam separadamente porque não tínhamos canal de YouTube, e um dia a Fabi me ligou para dizer que tinha umas ideias. Fui até a casa dela num domingo e montamos o projeto, estávamos em busca de um lugar para falar as nossas verdades sobre beleza. Discutir os porquês e olhar para essa cultura do belo com um pouco mais de ironia. Tudo é na base do tutorial e a gente queria um anti-tutorial. Um lugar de discussão e de reflexão dos padrões atuais.

O que você está achando de trabalhar com o Youtube?
Não entendemos nada de YouTube, eu a Fabi. Esses dias tentamos um live no YouTube e não conseguimos. Também não impulsionamos o canal, os seguidores e visualizações são orgânicos e partem das nossas outras redes como insta e Facebook. Nossa ideia é continuar a gravar sempre, pois o processo é muito fluido. Anotamos os comentários e ideias de nossos seguidores. Conversamos sobre o que temos visto por aí e como podemos abordar cada assunto. Temos uma amiga roteirista que nos ajuda a montar o esqueleto e o resto sai mesmo quando a câmera grava. Nesse momento estamos paradas (sem gravar) repensando como podemos viabilizar o projeto, em busca de patrocínio também.

Para você, qual é o segredo para um maquiador se destacar na profissão?
Pontualidade e trabalho em equipe.

O que você gosta de ler? Como se atualiza e se informa sobre as tendências?
Sou uma observadora. Gosto de ir à exposições e acredito que o repertório do maquiador tem que incluir também filmes (antigos e atuais) e livros. Viajar e conhecer outras culturas sempre dá um frescor para os olhos e para a mente. Claro que também acesso alguns blogs e revistas quando posso, também converso com outros profissionais, com os professores do Liceu e assistentes. Faço pesquisa de material em lugares inusitados, procuro cursos complementares como história da arte, fotografia, moda, que sempre adicionam camadas de informação ao nosso banco de dados.

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Qual dica você daria para quem está começando na profissão?
Chegue na hora, trabalhe duro e esqueça o glamour. Todo trabalho importa e é uma chance de aprender algo novo.

Você tem algum sonho?
Quero expandir o Liceu, aos poucos e bem estruturado, imagino que a escola possa oferecer mais cursos em outros lugares do Brasil.

 

Fotos- Paulo Ferreira e Reprodução/ Instagram