Como fazer correção de cor sem drama

30/05/2019 | Redação

Saiba quais são os erros mais comuns nos serviços de coloração e aprenda a corrigi-los

Sabemos que coloração é uma arte que exige não apenas talento, mas principalmente bastante estudo, experiência e dedicação. Mesmo assim, problemas podem surgir — desde um cabelo manchado, com diversas alturas de tom em sua extensão, até mechas largas demais ou raiz mais escura do que a ponta. A boa notícia é que existem técnicas para
corrigir todos eles (ou, pelo menos, a maioria) sem que seja preciso um trabalho radical de refazer tudo do zero.

A seguir, veja uma lista dos problemas mais comuns que podem surgir em relação à coloração e como solucioná-los.

O que é correção de cor?

Aquilo que se chama correção de cor é, na verdade, um conceito amplo. Alguns cabeleireiros acreditam que o termo se refere especificamente ao ajuste. Para outros, no entanto, ele diz respeito ao reparo de tudo o que não agrada à cliente em termos de coloração. E, nesse caso, estamos falando também em matização e neutralização. “O primeiro é feito para garantir que todo o fio tenha a mesma temperatura de tonalização. Ele precisa ser quente ou frio da raiz até as pontas, não importa que sejam tonalidades claras ou escuras. O que não pode é haver divergência de matiz. Um exemplo? O cabelo da pessoa estar castanho-claro quente perto do couro cabeludo e castanho-claro frio no comprimento e nas extremidades”, explica Ulisses SJ, hairstylist do ROM.Concept, em São Paulo. “Já o segundo é o processo em que conseguimos trazer os fios mais próximos ao neutro, que, na coloração, é o marrom. Então, quando conseguimos ‘matar’ todos os pigmentos indesejados, estamos neutralizando”, completa Guilherme Guedes, do salão TP Beauty Lounge, no Rio de Janeiro.

Fios manchados

Esse é um problema que ocorre com as fibras muito porosas, já que absorvem a tintura de forma desigual. Ou então de erros de processo, como uma aplicação não uniforme, que também podem ser culpados. “Indico uma limpeza de cor com pó descolorante, xampu antirresíduos e oxidante de 20 volumes em partes iguais. Isso vai descarregar a cor que está mais pesada e também facilitar o processo de coloração, que deve ser realizado em seguida. Não adianta aplicar tinta sobre tinta, pois vai manchar ainda mais. Deve ser feito com um tom um pouco mais escuro, com pigmento sempre .1 ou .3 para neutralizar a mancha”, diz o cabeleireiro Sylvio Rezende, do Tony by Sylvio Rezende, em São Paulo. Já se o borrão estiver localizado na raiz, esfumá-lo pode ajudar a diminuir o estrago.

Fora do tom

Numa descoloração, pode acontecer de o fio ficar alaranjado. Isso porque ele não foi descolorido o suficiente. “Para evitar, é preciso calcular corretamente a volumagem a ser usada e quantas vezes será preciso reaplicá-la até conseguir um tom mais neutro e desejado. Ao chegar no certo, o único empecilho ainda pode ser o pigmento quente revelado, mas é possível matizá-lo usando um tonalizante frio”, explica Ulisses.

Já a matização é a saída para as partes que ficaram amareladas demais. Loiros ficam brancos demais por causa do tempo exagerado de exposição ao produto, ou volumagem muito alta de oxidante ou revelador. “Para isso, indico usar um tonalizante de tom mais quente, ‘fechando’ a cor das seções”, sugere Ulisses. Em todos os casos, um teste é imprescindível. “O clareamento sempre tem que ser muito puro e muito bem distribuído, o que acontece quando você abre a mecha e consegue vê-la da mesma cor em todas as partes em que a descoloração foi aplicada. A avaliação consegue nos mostrar até onde a gente pode chegar e quais são as possibilidades daquele cabelo”, diz o hairstylist Felipe Lobeu, do salão Marcos Proença, em São Paulo.

Correção de cor na raiz mais clara

Esse problema é mais comum do que parece. “É importante lembrar que, próximo ao couro cabeludo, além da temperatura da pele, os fios são mais jovens e possuem uma mobilidade maior das cutículas. Tudo isso faz com que clareiem mais rápido que o comprimento e as pontas”, explica Ulisses. “Por isso, aconselho o uso de volumagem diferente nas extremidades e na base, numa mesma cor escolhida”, completa o expert.

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Mas se o dano já está feito, a solução é a aplicação, na raiz, de uma mistura equivalente à altura de tom do restante. “Para um resultado de uniformidade, não podemos aplicar uma cor com altura mais clara do que o comprimento, porque tinta não clareia tinta”, lembra Jô Nascimento, do Espaço Jô Nascimento, em Limeira (SP). Já Gui Guedes indica uma balayage nas pontas para clareá-las e, em seguida, tonalizar.

Mechas muito grossas

A palavra de ordem, hoje, é naturalidade. É por isso que as muito largas são consideradas deselegantes. Caso a cliente chegue ao salão reclamando desse problema, a solução é fazer um processo chamado mechas inversas, ou seja, usar um tonalizante, num tom que se aproxime da base, para diminuir sua espessura.

Desbotamento

Não tem jeito: uma hora a coloração começa a perder pigmentos e a força da cor vai embora. Nesse caso, o mais indicado é aplicar um tonalizante para reavivar o tom em todo o comprimento dos fios, sem se esquecer de manter a harmonia com a raiz.

Texto: Carol Salles

Fotos: Shutterstock