Dicionário da descoloração:
tudo o que você precisa saber

27/08/2019 | Redação

O surgimento de técnicas com resultado mais natural e a chegada de ativos cada vez menos agressivos oferece inúmeras possibilidades para clareamento dos fios

Foi-se o tempo em que o processo de descoloração dos fios considerava apenas uma cabeleira dourada e a qualquer custo. Mesmo que cabelos luminosos sejam o desejo de muitas mulheres, há um universo de resultados possíveis.

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Graças aos avanços nas últimas décadas e à atualização dos profissionais, a cliente tem a possibilidade de encontrar um loiro para chamar de seu.

Veja a seguir o dicionário da descoloração, com as expressões que surgiram ao longo do tempo para rechear esse universo.

Água oxigenada

Na descoloração, ela tem a função de oxidar o pigmento capilar. Isso ocorre pela ação do oxigênio que se desenvolve com a decomposição da água oxigenada. “Em contato com as fibras capilares, o produto realiza esse processo, abrindo as cutículas, avançando até a camada interna do fio e interagindo com os pigmentos”, explica o dermatologista Abdo Salomão, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Academia Americana de Dermatologia.

Para chegar ao clareamento ideal, evitando resultados manchados, é preciso, além de escolher produtos de qualidade e seguir as orientações do fabricante à risca, saber qual a volumagem adequada. Isso depende do diagnóstico realizado pelo profissional e o objetivo.

Para acertar sempre, vale a regra abaixo:

10 volumes – Tom sobre tom

20 volumes – Clarear de 1 a 2 tons

30 volumes – Clarear até 3 tons

40 volumes – Clarear mais de 3 tons

Amônia

“É um componente químico que tem como função abrir as cutículas do cabelo para depósito ou retirada dos pigmentos presentes no córtex”, explica Raiane Rodrigues, P&D Aneethun.

A amônia “infla” a fibra capilar, escancarando as escamas, de forma que os pigmentos consigam ser eliminados. Também facilita a liberação do oxigênio contido no oxidante, potencializando, assim, o efeito da água oxigenada.  

Apagar o fundo

Ocorre quando o colorista mantém reflexos e mechas loiras, mas esfuma a passagem entre raiz e comprimento, suavizando a transição, deixando-a menos marcada. O objetivo é conseguir um efeito mais natural. Após a descoloração, aplique um tonalizante da cor original do cabelo, ou um tom levemente mais claro, somente perto da raiz e, sem tirar o olho do trabalho, observe quando começar a formar um degradê entre a raiz e o comprimento com descolorido. Identificado isso, enxágue para remover o produto.

Balaiagem

Febre nos anos 1990, esta técnica utiliza uma combinação de mais de um tom de loiro, que pode ir do mais claro até o mais escuro, com mechas da raiz às pontas. “O trabalho é realizado em camadas costuradas, intercalando aplicação de pó descolorante e da cor desejada. Geralmente, são usadas de duas a três nuances no mesmo cabelo, criando um efeito iluminado e tom sobre tom”, explica o hairstylist Sylvio Rezende (SP).

Babylight

São mechas superfinas, costuradas e posicionadas em regiões estratégicas do cabelo. O objetivo não é uma grande transformação, apenas intensificar o brilho das madeixas, criando um look mais luminoso. A técnica, realizada com pó descolorante e oxidante de, no máximo, 20 volumes, permite um clareamento de um a dois tons. Ou seja, o resultado é bem sutil.

Bronde

Técnica de iluminação ideal para fios castanhos. A ideia é atender a mulher que deseja uma luminosidade nos fios sem deixar de ser morena. Nada de contraste expressivo, apenas intensificar a beleza.

São realizados reflexos em tom metalizado que, ao se misturarem com a raiz mais escura, resultam em um dourado discreto, mas suficiente para uma aparência mais jovem e luminosa.

Californianas

A proposta deste método é oferecer um efeito semelhante ao de queimado pelo sol (sunkissed). O resultado é a cara do verão e, quando surgiu, fez muito sucesso entre as brasileiras. Como a coloração é aplicada somente do meio para as pontas do cabelo, exige habilidade artística do profissional. Afinal, o resultado deve ser o mais natural possível e num degradê esfumado e com extremidades mais claras.

Compatibilidade

Se a ideia da cliente é ser loira e lisa por meio de processos químicos, o profissional deve ficar muito atento. Afinal, nem todos os fios alisados, relaxados ou trabalhados com progressivas podem ser descoloridos.

Um dos motivos, além do estado em que as madeixas se encontram após a transformação, é a incompatibilidade que pode haver entre o alisante e o clareador. Fios trabalhados com hidróxidos, por exemplo, tornam-se extremamente sensíveis a um choque entre as químicas. Avaliar as condições e o histórico de procedimentos do cabelo e sempre buscar informações dos fabricantes é o melhor caminho, evitando quebra e queda.

Decapagem

Limpeza que elimina o excesso de cor adquirida de forma artificial. Costuma ser realizado para mudanças mais agressivas, como transformar um cabelo escuro em loiro bem claro, por exemplo. A volumagem depende do tipo de fibra capilar e do grau de descoloração desejado.

“Usamos oxidante de 20 volumes e, de acordo com o grau de clareamento, podemos aumentar a volumagem até 30 ou 40. Em geral, devemos fazer um teste de mecha para nos certificarmos de que as madeixas aguentam essa descoloração, que resseca bem os fios”, explica Sylvio Rezende.

O profissional divide a cabeleira, aplica a mistura para decapagem uniformemente sobre o comprimento e as pontas, mecha a mecha, deixando a raiz por último, pois o calor do couro cabeludo acelera o clareamento. E é muito importante não tirar o olho desse cabelo, que deve ser acompanhado com muita atenção.

Caso o resultado não seja uniforme e perceba a necessidade de repetir o procedimento nas áreas em que a cor escura persiste, é indispensável avaliar a qualidade da fibra antes de qualquer aplicação química. Sylvio lembra ainda que a decapagem não é compatível com fios com botox, alisamento e colorações de metais, pois eles podem ficar com aspecto emborrachado.

Descoloração global

É quando se aplica o descolorante em todo o cabelo, sem deixar nenhuma parte livre da química. O método retira a cor natural dos fios, podendo subir alguns tons ou até chegar ao platinado.

Vale lembrar que, mesmo com o avanço das fórmulas descolorantes, há um impacto considerável na estrutura da fibra capilar, pois, assim como os pigmentos, também são eliminados elementos fundamentais para a saúde do fio. Por isso, é preciso conscientizar a cliente que deseja a descoloração global sobre a necessidade de ter cabelos resistentes e de realizar tratamentos reconstrutores antes e depois do procedimento. Quanto maior a saúde e qualidade estrutural da fibra, melhor o clareamento e a uniformidade da cor e menor o dano.

Fundo de clareamento

Ele determina a altura de tom que o cabelo irá revelar com a descoloração. Ou seja, são os pigmentos de fundo que aparecem quando o fio é despigmentado e que interferem na cor que a cliente deseja alcançar.

Para cada altura de tom existe um fundo de clareamento, que vai do vermelho ao amarelo bem claro:

Preto (vermelho)

Castanho muito escuro (vermelho)

Castanho escuro (vermelho)

Castanho (vermelho)

Castanho-claro (vermelho alaranjado)

Loiro-escuro (alaranjado)

Loiro (alaranjado amarelo)

Loiro-claro (amarelo)

Loiro muito claro (amarelo-claro)

Loiro claríssimo (amarelo muito claro)

Luzes

Fazem sucesso há muitos anos graças ao efeito luminoso mais discreto e natural e que pode ser realizado em qualquer cor de cabelo. Também são procuradas por quem deseja uma mudança gradual, sem ficar loira de uma vez. “As luzes são feitas em mechas bem fininhas e com fios costurados e desfiados. O método utiliza pó descolorante ou tinta clareadora e, geralmente, o oxidante é de, no máximo, 30 volumes”, explica Sylvio Rezende.

Cabeleireiro seleciona mechas finas no cabelo de uma mulher
As luzes proporcionam efeito luminoso mais discreto e natural e que pode ser realizado em qualquer cor de cabelo

Mechas

Elas ganharam muitas fãs nos anos 1990, com o sucesso dos cabelos de algumas famosas que ditavam moda mundo afora. Enquanto as luzes promoviam um resultado sutil e mais natural, as mechas vieram em diferentes espessuras, mas sempre bem aparentes e marcadas. O contraste evidente permite combinações variadas e que não precisam ser, necessariamente, com tonalidades de loiro.

Ombré Hair

Com mechas feitas no comprimento em direção às pontas, o método também ganhou fãs nos últimos anos por oferecer um resultado sofisticado, mas com naturalidade. Pode ser feito em qualquer tom e tipo de cabelo, pois a ideia é promover um degradê a partir da cor natural dos fios. No entanto, Sylvio Rezende avisa que é uma boa indicação para morenas e fios castanhos. “Utilizamos tons dourados ou acobreados, trabalhando com, no máximo, dois tons abaixo da cor original”, comenta.

Plex

Uma tecnologia chegou para atender a um dos maiores desafios da indústria cosmética: alcançar um loiro bem claro sem causar maiores danos à fibra capilar. Rapidamente ganhou espaço nos laboratórios de vários fabricantes e nos salões.

O grande interesse pela tecnologia plex se deu pela sua ação simultânea à das químicas utilizadas para descoloração, assim como coloração e alisamento. Enquanto o oxidante desestrutura o cabelo, os agentes dos produtos do tipo plex prometem minimizar os danos e melhorar a resistência do fio.

Pó descolorante

“Este produto age retirando os pigmentos da fibra, ou seja, clareando-as, sempre com o auxílio da água oxigenada”, explica a técnica Núbia Lima, da Alfaparf Milano. Assim, enquanto o oxigênio abre caminho dentro do fio, o pó descolorante retira os pigmentos.

A presença de alguns elementos em sua fórmula pode agredir mais o couro cabeludo do que o cabelo. Por isso, um teste de tolerância da química deve ser sempre realizado antes de partir direto para a aplicação em toda a extensão. Alguns profissionais também sugerem a descoloração em madeixas que não foram lavadas recentemente, para que a oleosidade natural ajude a proteger o couro cabeludo.

Reflexo

“São mechas finas e em grande quantidade, realizadas, geralmente, com pó descolorante e que clareiam, em média, quatro tons”, explica Sylvio Rezende.

Ou seja, elas oferecem um resultado bem luminoso e diferenciado da cor de base. Espalhadas por toda a cabeça, podem ser trabalhadas com auxílio de papel, plaqueta ou à mão livre, dependendo do resultado desejado ou da habilidade do profissional.

Strobing

Assim como aconteceu com a maquiagem nos últimos anos, a proposta é iluminar cada seção do cabelo de forma estratégica, simulando o efeito de luz quando bate nos fios. Exige técnica e olhar artístico aprimorado, pois o profissional precisa determinar onde, exatamente, funcionariam esses pontos a serem destacados. Ele também precisa considerar todo o conjunto do rosto, como forma e tom de pele, para não criar um contraste indesejado.

Texto: Françoise Gregório